FETICHE

A mulher, vista por baixo

por Vides Júnior

Se o amigo leitor já teve fantasias em que uma mulher mais alta – bem mais alta – lhe faz companhia na cama, por favor, não se sinta culpado.

A arte do exagero é algo que habita nosso mais íntimo subconsciente, onde vivem nossas fantasias sexuais. Ao visualizarmos uma mulher em nossas fantasias, por que não lhe acrescentar alguns centímetros, para satisfação de nossa tara?

Consciência limpa

Então, vamos partir do princípio de que nenhum de nós recusaria uma beldade “nas nuvens”, mesmo porque mulheres altas não são novidade. Na História, muitos são os relatos que as mencionam.

Talvez o primeiro a citá-las tenha sido o historiador grego Heródoto (século 3º a.C.), que conta uma excitante história. Segundo ele, na Babilônia antiga, era costume que toda virgem fosse levada ao Templo do Amor, onde perdia a virgindade com uma série de estranhos.

As mulheres altas, consideradas sagradas pelo povo, eram usadas e logo liberadas. As baixinhas e feias ficavam aprisionadas no templo por até quatro anos e, quando eram soltas, eram chamadas de “prostitutas sagradas”. Já as altas tornavam-se raridade e, portanto, caíram nas graças do fetichismo popular. Ponto pra elas!

Taras históricas

O padre espanhol Gaspar de Carvajal, cronista que percorreu o norte do Brasil ao lado de diversas expedições, escreveu relatos para a Coroa espanhola narrando o encontro que teve com um grupo de mulheres altíssimas que habitava o interior da floresta. Segundo ele, as mulheres eram morenas, fortes e dominadoras (sic), tinham seios grandes e braços poderosos.

O padre ainda conta que as amazonas, como ficaram conhecidas, capturavam os guerreiros mais fortes das aldeias para servir-lhes de escravos sexuais, gerando também filhas fortes e saudáveis – e que, em sua aldeia, andavam totalmente nuas, com o corpo coberto de óleo, prontas para guerrear e dominar seus inimigos homens.

Numa análise superficial, podemos dizer que o padre Gaspar foi, talvez, o mais fetichista de todos os contadores de histórias da Igreja. Ser raptado e usado como escravo sexual por um bando de mulheres altas e fortes não é bem nenhum inferno. A parte chata é morrer. Outro ponto pra elas.

Na terra das gigantes

Viver na Holanda tem suas vantagens. Mictório na rua, haxixe na farmácia, casamento liberado para todos, maioridade aos 15 anos – e, para quem gosta de mulheres altas, um prato cheio.

A altura média da holandesa é de 1,74 m, ou seja, dez centímetros acima da média das mulheres européias, tanto que lá surgiu o Clube dos Altos (Klub Lange Mensen).

Na Holanda, 10% da população tem mais de 1,93 m de altura. Relativamente, são mais de 500 mil mulheres gigantes espremidas num país menor do que São Paulo. Todas lindas! Mais um ponto!

Dia a dia, nós olhamos para cima

Mulher alta só é fetiche por que é pregado dessa forma. No cotidiano, encontramos exemplares dessa exótica fauna sensual por todo lugar: na rua, em casa, na televisão. Imaginando a mulher dos nossos sonhos, é natural que ela seja “superlativa”.

Pernas longas, barriga esbelta, braços finos e sensuais, tudo isso espalhado num corpo com mais de 1,80 m de altura. Quem, em sã consciência, não deseja isso? Quem nunca se deliciou ao ouvir a Ana Hickman dizer ao telefone enquanto entra num Ford Fox: “Eu tenho 1,20 m só de perna!”?

Houve um tempo em que os homens tinham orgulho em declarar: “Mulher mais alta do que eu? Nem pensar!”. Hoje, as coisas mudaram. O homem sabe valorizar aquilo que tem. Ao desfilar com uma mulher alta ao seu lado, sabe que atrai olhares cobiçosos dos outros homens. Enquanto o fetiche permanece inalcançável para alguns, outros já têm a sorte de navegar em barcos maiores.

Famosas que você tem de torcer o pescoço para encarar

Ana Hickman (apresentadora de TV) – 1,81 m

Cláudia Liz (modelo) – 1,80 m

Cláudia Raia (atriz) – 1,80 m

Sílvia Pfeiffer (atriz) – 1,80 m

Simone (cantora) – 1,80 m

Marisa Monte (cantora) – 1,79 m

Luana Piovani (atriz) – 1,78 m


Fotos: Reprodução