CONTO ERÓTICO
 

A três


por Valquíria Álvares


Naquele motel escuro nos arredores da Rodovia Raposo Tavares, encontraria meu amante pela segunda vez. Não era homem novo na minha vida. Pelo contrário, amigo de infância de Quirino, meu marido, estava em casa todo santo dia. Que me lembre, sempre o detestei, com todas as minhas forças, e só mulheres odeiam tanto assim.

Odiava seu cheiro, seus dentes amarelados pelo cigarro, a camisa xadrez aberta sobre qualquer outra camiseta fuleira de banda de rock. Odiava a caspa que habitava seus ombros e, sobretudo, odiava a proximidade dele com meu marido.

Toda noite de sexta-feira, era ele quem vinha pontualmente dar o ar da graça só para assistir ao maldito jogo de basquete, comer pizza e beber cerveja. Nunca atentavam, aqueles dois, para a quantidade de copos sujos que fatalmente eu lavaria no dia seguinte.

Eu revia toda aquela implicância e não podia acreditar que pudesse me encontrar com a criatura em um motel qualquer da cidade. A questão não era trair meu marido. Que fosse com qualquer outro... A questão era meter com um mau-caráter!

Toda aquela masturbação mental, no entanto, foi bloqueada pelos beijos daquele um. Ele me enlaçou em seus braços logo ao abrir a porta – e me jogou na cama com tamanho ímpeto que desejei estar com ele anos antes.

Ele foi me seduzindo com beijos e lambidas. Quando percebi, estava completamente nua e submissa, pedindo feito gatinha manhosa:

– Hummm... Chupa meu peitinho. Ai, lambe minha bocetinha. Assim mesmo, meu amor.

Não cabia dizer “meu amor”. Não era – mas, por fetiche, tratava-o como namorado.

Eu já estava soltinha e toda molhada. A boca dele explorava minha chana... Quando, de repente, meu amante soltou a bomba:

– Eu contei para o Quirino.

– O quê?! – dei um salto na cama, e meu grito estridente ressoou em minha cabeça. Como ele ousava cortar meu tesão daquela forma?

– Ele disse que tudo bem. Que entendia. Afinal, há anos que freqüento a casa de vocês. Mas fez um pedido.

– O quê?! – era tudo que eu conseguia dizer.

– Ele quer ver.

– O quê?!

– Oi, amor – disse Quirino, com cara deslavada, saindo de um canto. Nesse ponto, me sentia mais traída que o próprio. Estava nua aos olhos dele. Literalmente.

Quirino se sentou ao meu lado na cama e me olhou. Não tinha raiva. O amigo permanecia pelado do outro lado.

Foi, então, que meu marido me tomou nos braços e se pôs a me beijar. Enlaçou-me como um marido que ama. Puxou o pau pra fora e, de ladinho, metíamos gostoso.

Flávio, o amigo fumante, aproximou-se por trás. Pude sentir seus gemidos na minha orelha. Às vezes, homens são mais delicados para gemer que mulheres.

Sem preparação alguma, enfiou também. Por trás. Gritei, mas, de alguma forma inexplicável, encontrei meu ritmo. Encaixei-me bem, muito bem – e gozei gostoso entre os dois amigos, meu marido e meu amante.