PERFIL

Andrew Blake

O diretor que trouxe o glamour aos filmes pornôs

por Marcos Piovesan

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Nunca se fez tanto filmes pornográficos como nas últimas décadas, mas, infelizmente para os amantes dos "clássicos", o muito que se produziu muitas vezes não se refletiu na qualidade.  

Hoje em dia, com a popularização dos aparelhos de vídeo e das câmeras, o público mais ousado tem gravado suas próprias produções amadoras, que arregimentam muitos fãs. Ao mesmo tempo, em diversos filmes profissionais, os roteiros tendem a ser parecidos, com uma introdução que logo resulta no sexo. Assim, não é raro que os espectadores assistam às cenas apenas pelo sexo em si, avançando o filme para onde a ação acontece.

DIFERENCIAIS
No entanto, há profissionais do pornô que têm procurado fazer um trabalho diferenciado. É o caso do diretor e produtor Andrew Blake.

Nascido em 1947 – o nome verdadeiro é Paul Nevitt –, Blake trabalhou como diretor de arte para a tevê antes de entrar para a indústria pornô. Foi assim desde os anos 60 até boa parte dos anos 80, período em que ele também pôde atuar nas áreas de animação gráfica, vinhetas e comerciais animados.

Quando entrou no sexo explícito, Blake trouxe toda essa experiência na bagagem. A estreia ocorreu no momento em que tudo havia se tornado computadorizado no mundo da tevê e derivados. Foi assim que ele decidiu se dedicar ao erotismo, entrando em contato com o canal a cabo da Playboy com um piloto de uma série que eles aceitaram produzir. Ao mesmo tempo, Blake começou a trabalhar para a Penthouse, criando obras de erotismo softcore que, aos poucos, marcaram um estilo próprio.

Seus trabalhos logo foram considerados "bonitos", com classe, mas, às vezes, faltando o sexo quente aliado a tudo. Essas observações, no entanto, não impediram que sua primeira grande produção, Viagens Noturnas (Night Trips, 1989), imediatamente se tornasse um clássico.

Na década de 90, Blake começou a trabalhar de forma independente através de sua própria produtora, a Studio A. Com isso, seus trabalhos se tornaram muito mais explícitos e incluíram atrizes que se tornaram grandes estrelas do sexo explícito, como Janine Lindemulder, Tori Welles, Jeanna Fine e Zara Whites.

Divulgação

PRÊMIOS E PERSPECTIVAS
O diretor passou a ser conhecido por um padrão de qualidade que, até então, o pornô não conhecera. Não à toa, ele foi premiado com a Medalha de Prata no Festival Internacional de Cinema de Worldfest-Houston – simplesmente, o primeiro diretor de filmes adultos a receber um prêmio em um festival internacional de filmes mainstream.

Aliás, desde o ano de 1989 para cá, são mais de 15 prêmios por suas produções, entre eles Melhor Edição (Hard Edge), Fotografia (Paid Companions), Direção de Arte (Blond & Brunettes) e Melhor Filme (Playthings).

A perspectiva de Andrew Blake é puramente visual, com estilização artística e técnica rigorosa, tentando desenvolver o erotismo da mesma maneira que em um videoclipe. Deixa-se que as imagens tomem conta da cabeça e dos olhos do espectador, e é comum que ele use o mundo dos sonhos e das fantasias para isso, explorando as possibilidades visuais oferecidas pelas brincadeiras com o imaginário.

Altos valores na produção e cenários cuidadosamente escolhidos com mulheres lindas, bem-vestidas e elegantes que se soltam de forma natural são característicos em Blake, bem como certos fetiches, como a escravidão, mulheres na água e cenas lésbicas. Vale a pena conferir mais de seu trabalho em www.andrewblake.com.

FILMOGRAFIA

  • Playboy: Sexy Lingerie (1988)
  • Night Trips: A Dark Odyssey (1989)
  • Secrets (1990)
  • House of Dreams (1990)
  • Art of Desire (1991)
  • Hidden Obsessions (1992)
  • Pin-Ups (1994)
  • Unleashed (1996)
  • High Heels (1998)
  • Aroused (1999)
  • Playthings (1999)
  • Blond & Brunettes (2001)
  • Justine (2002)
  • Hard Edge (2003)
  • Flirts (2005)
  • Andrew Blake X (2007)
  • Paid Companions (2008)
  • Voyeur Within (2009)
  • Sex Dolls (2010)

Publicado em 24/05/2012. Imagens: Andrew Blake = Reprodução / Capas de filmes = Divulgação.