ARTIGO

Andropausa: que bicho é esse?

O nome é uma referência à menopausa, que atinge as mulheres após os 45 anos de idade, mas não representa o mesmo tipo de alteração. Nelas, há um acentuado declínio na produção hormonal que leva à falência funcional das gônadas (ovários) e à interrupção do ciclo menstrual. Entretanto, nos homens, também foram identificadas alterações hormonais.

por João Batista Pedrosa - psicólogo

A mais comum é uma redução dos níveis de testosterona, que, no entanto, não resulta em falência gonadal completa ou interrupção de uma função fisiológica.

Assim, há muitas diferenças entre a menopausa e o fenômeno de nome semelhante dos homens: não há uma faixa de idade mais comum para seu início e nem todos têm o problema. Além disso, o diagnóstico é difícil, e o tratamento, controverso.

O que ocorre na andropausa?
A deficiência de testosterona no homem idoso pode causar diminuição da libido e da qualidade das ereções, diminuição da massa muscular, aumento da massa de gordura visceral e alterações no perfil lipídico (de gordura) no sangue, diminuição da massa óssea e osteoporose e diminuição da sensação de bem-estar.

Não se sabe, entretanto, se a diminuição da testosterona é um fenômeno isolado que ocorre devido a uma falência em evolução da gônada (hipogonadismo primário) ou se é decorrente de outras alterações no mecanismo de controle hormonal do organismo.

Homens com problemas sexuais podem estar na andropausa?
O assunto é polêmico. A disfunção sexual é um dos principais efeitos da diminuição da testosterona, mas várias pesquisas demonstram que apenas cerca de 3% a 4% dos casos de disfunção sexual em homens de todas as idades ocorrem devido a problemas hormonais.

No idoso, a frequência de problemas hormonais aumenta, mas também a incidência de outros problemas que podem causar disfunção erétil, como, por exemplo, doenças cardiovasculares e diabetes.

Para saber se um distúrbio sexual está associado a alterações características da andropausa, é preciso consultar um urologista ou um endocrinologista.

Homens com níveis diminuídos de testosterona podem estar na andropausa?
Não é verdade. Há uma redução natural dos níveis de testosterona que ocorre com a idade, mas não implica necessariamente em problemas de saúde. A medicina ainda não compreende muito bem por que isso ocorre.

Há diferentes formas de testosterona no sangue. Uma delas é a livre, considerada a responsável pelos efeitos conhecidos dos andrógenos. Outra parte está ligada a outras moléculas e não tem efeitos biológicos muito claros.

Talvez por isso existam homens com sintomas de deficiência androgênica que têm níveis de testosterona normais e outros sem sintomas com níveis diminuídos. É o conjunto de sinais e sintomas associado a vários tipos de exames de sangue que permitem ao médico fazer o diagnóstico correto.

Homens precisam de reposição hormonal?
Não. A reposição só é recomendável em homens com indicações exatas, que são a presença de um ou mais sintomas atribuíveis ao baixo nível hormonal, ou seja, dosagens de testosterona mostrando níveis baixos e alterações compatíveis de outros hormônios responsáveis pela regulação dos testículos.

Isso não ocorre em todos os homens e não há certeza se todos que têm esse quadro necessitam de tratamento. As consequências da redução hormonal para o organismo não são completamente conhecidas. Por isso, não se pode recomendar a reposição rotineira em homens idosos.

O conhecimento médico sobre as consequências da privação hormonal em idosos é decorrente de situações clínicas incomuns, como a resultante de ablação hormonal terapêutica indicada em homens com câncer de próstata.

Quais são os cuidados que um homem em terapia de reposição hormonal deve ter?
A terapia deve ser controlada pelo médico a cada quatro meses no primeiro ano de tratamento. É preciso se certificar da ausência de problemas hepáticos, cardíacos e de próstata e da ausência de alterações no perfil lipídico do sangue.

Os que têm câncer de próstata oculto podem ter um aumento na velocidade de crescimento do tumor, mas a reposição hormonal per se não causa o câncer. Os resultados do tratamento são medidos pela melhora dos sintomas.


Texto originalmente publicado no site da Sociedade Brasileira de Urologia - SP (www.sbu-sp.org.br) e posteriormente em www.syntony.com.br. Adaptado para esta publicação, com reprodução autorizada por João Pedrosa, psicólogo clínico especializado em terapia com enfoque em sexualidade e analista do comportamento com curso de especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP.