ARTIGO

Os sultões do swing

Uma lésbica, um bissexual, uma grávida e uma jornalista em busca de respostas sexuais visitam uma casa de swing numa sexta à noite!

por Nadine Montreuil
 
 
 

Seria minha primeira vez num swing, e confesso que não podia ter escolhido grupo ou localização melhor. Primeiro, uma futura mamãe, decepcionada com um namorado do passado. Estava também um aquariano bissexual – o único frequentador assíduo dessas casas. Acompanhava-me ainda uma lésbica recém-abandonada por aquela que havia sido seu grande amor. Por último, havia eu. Traída, com vontade de “pecar” e me vingar.

Éramos um grupo livre, numa São Paulo quente, preparando a cabeça com cerveja para uma noite mais promíscua. “A monogamia é uma escolha”, disse Ricardo. Meus três companheiros discorriam sobre monogamia e poligamia, e eu ouvia de cabeça baixa. “Quando a ‘mina’ reclamou que eu não estava dando atenção pra ela e me perguntou se era tão importante quanto os meus amigos, eu fui bem claro e disse ‘é, sim’”, continuava ele.

Talvez de fato houvesse algo de errado em querer misturar amizade e sexo. O ideal de um matrimônio, para mim, no entanto, sempre foi conseguir um cônjuge que fosse melhor amigo, amante e namorado. “O problema, Nadine, é que alguns homens não conseguem unir ternura e sexo. Se você é muito boa de cama, eles provavelmente verão algo de estranho”. Eu respondi: “Bom, eu vou foder e casar com meu melhor amigo!”. Marina, a grávida, jogou um balde de água fria: “Meu amor é incondicional apenas por minha família e agora pela minha filha”. O amor era definitivamente um tema muitíssimo mais complicado que a devassidão.

NO LABIRINTO

Adentramos uma das mais conhecidas casas de swing da cidade. Aparentemente, uma balada normal. Casais de mãos dadas circulando. Sofás brancos. Putas de vestido curto e justo. De diferente, apenas um bar devidamente preparado para a pole dance.

Dançamos, eu e Ricardo, a música da Rihanna. Era um pré-ritual de sedução. Ele subia a mão pela minha coxa até deixar minha bunda à mostra. Em três minutos, todos os casais que nos olhavam se beijavam animadamente.

No salão da frente, contudo, não é permitido fazer nada além de tirar a roupa e dar uma lambidinha aqui e ali. Estava ansiosa quando o labirinto dos fundos finalmente foi aberto.

Entramos todos, e imediatamente eu e Rico nos enfiamos em uma sala com um outro casal. Eu, assustada; ele, calmo, pedindo que ficasse muda. Obedeci. Ele começou a massagear meu clitóris e enfiar os dedos em mim. Eu não sentia prazer, mas encarava, olhos e boca arregalados, aquele casal que se comia na minha frente.

Arreganhada de frente, ela me olhou como quem chama. Fui. Beijei peitos e boca e mais peitos. Mulheres são tão lisas... “Tem camisinha aí?”, ela questionou, mas quis somente que o parceiro dela me chupasse. Fui chupada por dois homens – mamas e chana. Fingi um orgasmo.

ORGASMO

Anestesiada, fui para o lado da cascata. Um homem que não parecia ter muita identificação com o lugar se apresentou. Era do mercado financeiro, chamava-se Renato. Queria transar comigo: “Você estava tão bonita lá. Digo... Gostosa... Aqui, a gente tem que dizer gostosa”.

Não pude permitir a penetração, e ele não chupou meu peito o suficiente para que eu gozasse – mas deixei que esporrasse no meu peito. Algumas horas depois, percebi que meu vestido azul-marinho denunciaria aquele momento pelo resto da madrugada. “Eu vou querer sair com você”. “Mas eu sou alguém que você conheceu no swing!”, disse eu. “Que preconceito! Me passa seu telefone”. “Você pode pegar meu MSN”. Renato me ajudou a remover a porra com folhas de papel e se despediu com um selinho.

Mirtes, a lésbica e mais recatada, ganhou o prêmio devoyeur da noite. Ela só olhou e, para gozar, só precisou se aproximar do casal que se comia em um canto do salão. Posicionou-se atrás do homem que penetrava a moça com força e “chegou lá” sem se tocar. Invejei-a. Foi a única que não fez nada e a única que teve um orgasmo!

Enquanto isso, Ricardo queria comer Marina de qualquer maneira, mas não conseguiu segurar a ereção. Era a estranha repulsa e atração que as grávidas causam. Quando os encontrei, decretei que tínhamos de ir embora.

Às 4h30 do sábado, estávamos tomando a sopa dos justos na padaria 24 horas. Sentia-me desvirginada – e livre. Não voltaria lá tão cedo, mas tive a coragem de cruzar aquelas portas, e isso era o suficiente...


Publicado em 01/09/2011.