ARTIGO

Loucura por sexo

Qual a diferença entre o impulso sexual normal e saudável e o que os especialistas classificam como compulsão sexual?

 

por Bruno Gustavo - psiquiatra

Muitas pessoas apresentam comportamento compulsivo por compras, comida, limpeza ou mesmo por trabalho. O compulsivo sexual é o indivíduo que só pensa “naquilo”: o sexo passa a ser o último e único objetivo de toda a sua vida. O sujeito não se contém em nenhuma situação ou não se entusiasma com nada mais.

O problema é duplo: ele acaba se metendo em enrascadas por causa da compulsão, atrapalhando o bom andamento dos demais setores da vida; e esconde, por debaixo dela, um grave problema psicológico.

O mecanismo mais aceito para explicar as compulsões é o seguinte: há algum conteúdo reprimido, escondido nos “porões da mente”, que exerce pressão sobre a consciência para se manifestar e ser aceito pelo ego.

A pressão é sentida como ansiedade, angústia ou, em casos mais complexos, como imagens aterrorizadoras que se impõem à mente consciente – ruína, miséria, inferioridade, medo da morte, etc.

Para se livrar dos sintomas, o indivíduo aprendeu, ao longo de sua vida, a lançar mão do sexo como válvula de escape. Com o tempo, sendo esta a única via de expressão apresentada como solução, cria-se um canal aberto de extravasamento de energia psíquica que acaba por abranger toda a vida consciente do sujeito, que, por sua vez, apresenta um quadro neurótico classificado como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Associada a isso, sempre há uma boa dose de narcisismo, egocentrismo e necessidade imperiosa de esquivar-se de relacionamentos afetivos mais expressivos e duradouros.

Por debaixo de tudo, costuma haver muita insegurança, complexo de inferioridade e um enorme medo do outro e dos próprios sentimentos. O compulsivo sexual tem necessidade de se autoafirmar e vale-se do sexo para tal.

A única forma de resolver adequadamente o problema é a conscientização de sua existência e a procura por um profissional capacitado que ofereça ajuda. Essa ajuda é invariavelmente a psicoterapia, de qualquer linha.

Muitas vezes, é necessário o uso de alguma medicação, como os ansiolíticos e inibidores seletivos de recaptação de serotonina (“antidepressivos”), acompanhados ou não de medicações sedantes. Há também grupos de autoajuda especializados em apoio a compulsivos sexuais..


Bruno Gustavo é psiquiatra e psicoterapeuta junguiano.
Publicado em 06/10/2011.