FETICHE
 

Uma questão de peito

 

É fato: as “mulheres de peito” tomaram conta do imaginário masculino brasileiro. Hoje, parece bem difícil achar algum homem que não goste de seios grandes e fartos – mas eles existem, e não são poucos!

por Luciano Rodrigues

Como dizia a vovó, “para todo pé cansado, existe um chinelo velho”. Fetiches são exatamente assim. Não existe certo ou errado.

Atualmente, as peitudas dominam as bancas de jornal, as novelas e os filmes. Depois do advento do silicone, que aparece em quase todas as capas de revista, homens que não curtem seios no estilo “cinema pornô americano” pareciam estar em extinção. Não é bem assim.

Viva as arrebitadinhas!
Márcio Pereira Borges é um deles. Sujeito boa pinta, divertido, bem de vida, do tipo que poderia ter a mulher que quisesse – e ele tem um gosto bem definido: “Não sei por quê. Não tem como explicar, mas é assim desde que comecei a prestar atenção nas mulheres. No colegial, sempre há aquelas garotas que se desenvolvem mais rapidamente do que as outras... Os seios crescem. Essas [...] nunca me atraíram. Sempre gostei mais das outras, com seios pequenos, arrebitadinhos”, conta, com ar sincero de quem não consegue explicar a preferência.

De fato, a noiva de Márcio tem seios pequenos. “Um dia, cogitei colocar silicone porque isso sempre me incomodou um pouco, desde adolescente, mas ele não deixou de maneira nenhuma e, quando insisti, ficou bravo comigo”, conta a moça. “É engraçado. Quando chega uma amiga minha com seios grandes, [...] posso ficar tranquila, que ele não vai nem olhar”.

Em um país que já teve na jovem Sandy um de seus símbolos sexuais, é fácil perceber que o gosto do homem pode ser diferente do que se pensa.

As brasileiras sempre se destacaram pelos quadris largos, sensualidade e bumbuns fartos. Seios grandes não fazem parte do biótipo tradicional da mulher do Brasil desde a era das chacretes, há muitos e muitos anos, passando por Tiazinha (que fazia mais sucesso antes do implante de silicone), entre diversas outras.

Como exemplo, basta dizer que a morenaça Scheila Carvalho chegou a ser eleita pelos fãs brasileiros a mulher mais sexy do mundo várias vezes – mesmo antes de turbinar os seios!

O sabor da diferença
É possível que a preferência por seios pequenos seja relacionada à “época da inocência”.

Da mesma maneira que alguns homens ficam loucos ao ver uma garota vestida com roupas de colegial e “maria-chiquinha”, outros parecem evitar as mulheres de seios grandes, talvez porque isso remeta, mesmo inconscientemente, a uma maior feminilidade, a mulheres já formadas.

Seios pequenos, por sua vez, remetem às adolescentes, àquela sensação de fazer algo proibido.

Existem, porém, outras explicações possíveis (se é que fetiches devam ser explicados). “Aqui, no Brasil, se você for alto, loiro, de olhos azuis, vai chamar a atenção de todos. Agora, na Suécia, se você for loiro, vai passar batido – mas se for negro, não; ou seja, o que chama a atenção é o que é diferente. Hoje em dia, com essa onda de silicone, é raro encontrar uma mulher de seios pequenos. Então, é isso que chama a atenção”, explica Renato Rossi, outro apaixonado pelas “despeitadas”.

Márcio e Renato só vêem vantagens em sua preferência. “As mulheres de seios grandes são disputadas a tapa pela grande maioria. Então, complica bastante. Elas ficam se sentindo a ‘última bolacha do pacote’”, explica Renato, sorrindo.

Ele conta que já fez loucuras para ficar com uma mulher “completamente reta”, como ele mesmo define: “Eu namorava uma gaúcha que não tinha peito nenhum. Meus amigos não conseguiam entender os motivos que me levavam a ficar com ela – mas eu atravessava a distância que separa São Paulo de Porto Alegre, que é de mais de 1.100 km, quase todo fim de semana, só pra encontrá-la. Acho que nem ela conseguia entender. No fim das contas, ela acabou me dando um pé. Talvez por isso mesmo, por não conseguir me entender”.

”Eu fico maluco. Quero morder, chupar, lamber, apertar. Se eu vejo uma mulher com pouco peito, já começo a ficar interessado. Vou chegar para conversar. Principalmente se ela tiver quadris largos, bumbum grande. Veja bem: não é que não goste de mulheres com seios grandes. Eu gosto, sim. Aliás, gosto de qualquer tipo de mulher. Apenas tenho uma certa preferência por aquelas com pouco peito”, afirma Guilherme Almeida, também do time de amantes dos seios “P”. “Parece que elas são mais ‘anatômicas’, gostosas, melhor de rolar na cama. Sei lá, cara, não dá pra explicar [...]. A única coisa que eu posso garantir é que eu fico completamente tarado quando vejo uma. Agora, o porquê disso, não tenho a menor ideia”, afirma.

Para ser sexy
Ao contrário do que inicialmente se pensava, foi fácil encontrar homens com essa preferência para servir de personagens para esta reportagem.

O Brasil é um país multirracial, miscigenado, com pessoas de todos os tipos. Por aqui, há negras, brancas, mulatas, ruivas, popozudas, sem bunda, de cabelos longos, curtos, altas, baixas, gordas ou magras – e as mulheres sem peito também têm seus fãs.

Todos os entrevistados, entretanto, fazem questão de frisar: charme é fundamental, e charme vem principalmente da autoconfiança.

As mulheres se sentem mais confiantes com seios grandes, e, muitas vezes, é isso que realmente chama a atenção – a autoconfiança. Nada a ver com a comissão de frente. “Se uma mulher quiser ser atraente, ela precisa, antes de tudo, ser autoconfiante, botar fé em si mesma, seja com seios grandes, seja com seios pequenos”, afirma Márcio, “mas continuo preferindo as despeitadas”, faz questão de destacar...