Dia 15 de julho – Dia do Homem

Com maior foco em saúde, data oferece oportunidade para diversas reflexões

por Caio Delcolli

Hoje, 15 de julho, é o Dia do Homem aqui no Brasil. Em âmbito internacional, é dia 19 de novembro. Tanto aqui quanto lá fora, o maior foco está na saúde do homem.

O câncer que mais atinge a população masculina é o de próstata, uma frequente causa de morte. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), nos últimos 34 anos, houve um crescimento de 120% na quantidade de casos de câncer de próstata.

Saiba que, a partir dos 40 anos de idade, recomenda-se que todo homem consulte atendimento médico uma vez por ano para realizar o exame da próstata. O câncer dela é o mais comum em homens com mais de 50 anos de idade e tende a se desenvolver lentamente, sem sintomas. Quando avançado, é comum haver dificuldade para urinar, hematúria (sangue na urina) e constante sensação de não conseguir esvaziar a bexiga por completo. Dor nos ossos das costas é sinal de que o câncer evoluiu e está mais grave.

Fique atento ao seu histórico familiar de doenças. Sabe-se que ele pode dar indícios de várias doenças, como hipertensão, diabetes e o câncer também. O da próstata pode ser prevenido com uma dieta rica em frutas, verduras e vegetais, prática de exercícios físicos e controle de peso. Negros e obesos têm maior incidência ao câncer de próstata. O tratamento varia de acordo com o tamanho e a classificação do câncer. Pode resultar em uso de remédios, remoção cirúrgica da próstata, radioterapia e hormonoterapia. O acompanhamento clínico mais evasivo é uma boa opção para os pacientes idosos.

Ainda hoje há o “machão” que tanto tem receio de fazer o exame de toque retal, quanto acha que este é motivo de chacota. Vale lembrar que, além de estarmos em 2013, a saúde vale mais que qualquer preconceito idiota. Antes passar por cima dele do que de si próprio.

No Brasil, outra doença digna de atenção dos homens é o câncer de pênis, que mesmo representando apenas 2% de todos os cânceres no país, no Norte e no Nordeste, ele é mais frequente que o de próstata. No Maranhão, estão registrados 11% de todos os casos do Brasil. Ano passado, foram registrados 15 casos que resultaram em 14 amputações no estado.

Aproximadamente mil amputações de pênis são realizadas por ano aqui no Brasil. Para prevenir, dois itens simples: água e sabão. A boa e velha higiene. Fimose e doenças sexualmente transmissíveis podem ser causas também.

Falando das DSTs, vamos todos nos proteger? Não importa se somos héteros, gays ou bissexuais. As doenças transmitidas através do sexo sem proteção são perigos reais e devemos todos nos prevenir. Lembrem-se da camisinha. Sempre.

Não se esqueçam de que homens tendem a viver menos que mulheres em aproximadamente sete anos. É dia também de finalmente deixar de lado associações bobas, como a do estilo de vida saudável à “coisa de mulher”. Acredite ou não, mas ainda há homem que cuidar da própria saúde é “coisa de mulher”. Sejamos realistas: não é.

Vale lembrar também que, no Brasil, mais homens morrem em atos de violência (assassinatos, suicídios, acidentes e causas não naturais) que mulheres. Segundo o censo do IBGE, em 2009, para cada morte violenta de uma mulher, ocorreram quatro entre homens. No mesmo ano, foram registrados 1,09 milhão de óbitos em nosso país. Dentro deste número, 14,94% se referem a mortes violentas entre homens. Entre mulheres, a quantidade cai para 3,82%.

Mas não deixemos que pare por aí, nos assuntos saúde, morte, violência.

A data é digna de aproveitamento em muitos aspectos. Grandes homens são figuras lendárias que fazem parte da História que o povo deste planeta compartilha. Não vamos negligenciar as mulheres, é claro, pois inúmeras deixaram sua marca. Maria da Penha é exemplo. Agredida de modo severo por seu próprio marido, a farmacêutica cearense chegou a ficar paraplégica por conta de um tiro que ele próprio disparou contra ela. Esta foi a primeira de duas tentativas de assassinato que Maria sofreu nas mãos de seu esposo. Após conseguir deixar sua casa com as três filhas, Maria entrou com um processo que se tornou símbolo da luta das mulheres contra a violência doméstica no Brasil. A luta pessoal de Maria da Penha culminou na elaboração da lei que leva seu próprio nome, em 2006, sancionada pelo então presidente Lula.

Hoje é dia de lembrar que homem de verdade não agride mulheres. A briga pelos direitos das mulheres pertence aos homens também. E se nós, homens, participamos da busca pela igualdade entre os sexos, ponto para nós, porque se colocar no lugar dos outros é sinal de interesse pela justiça.

É dia também do homem que é pai aceitar suas responsabilidades. Isso é ser homem também. É dia de lembrar que homens LGBTs também são homens, e respeito transcende rótulos. É dia também de lembrar que homens, em sua condição de seres humanos vivendo em sociedade, têm em mãos as ferramentas para construir um mundo melhor, mais aconchegante para sua família, para seus queridos, para si mesmo e para o próximo. Cidadania é coisa de homem também. E que os dias 15 de julho e 19 de novembro não sejam símbolos do machismo – algo que, definitivamente, não é coisa de homem.

Imagens: Reprodução Clker/I Was Namejoy