Artigo
 

Ejaculação rápida

por João Pedrosa - terapeuta sexual


 

Esta é a definição: ejaculação é um conjunto de fenômenos neuromusculares que permite a progressão do sêmen (esperma) e sua expulsão pela uretra na fase final da resposta sexual masculina. O problema é quando essa fase final chega rápido demais!


Segundo o Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil (2002), a ejaculação rápida (ER) pode ser definida como uma ejaculação persistente ou recorrente com estimulação sexual mínima, antes, durante ou logo após a penetração – e antes que o indivíduo deseje.

O problema antes era conhecido como ejaculação precoce, mas a terminologia foi mudada no 2º Congresso Internacional em Disfunção Erétil e Sexual, realizado em julho de 2003, em Paris, França. É uma queixa que vem aumentando no consultório e, entre os homens, só perde para a disfunção erétil.

Provavelmente, isso ocorra porque o ejaculador rápido tem algum desempenho sexual, mesmo que insatisfatório. Já a disfunção erétil (antiga impotência) mexe muito com a auto-estima, levando seus portadores com mais freqüência ao consultório.

Alta velocidade
Pesquisas indicam que 40% dos homens se queixam da ER. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2003 pelo ProSex, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP), contemplou 13 estados brasileiros e constatou que, dos homens com ER:

- 45% a apresentavam logo após a penetração;
- 38,2%, quando se masturbavam;
- 25,1%, só em determinadas situações, como após um longo tempo sem relações sexuais ou quando muito excitado;
- 17,1%, nas preliminares; e
- 5%, só em pensar em sexo.

A ER é classificada em três tipos:
ER-Primária: ocorre desde a iniciação da vida sexual;
ER-Secundária: aparece no decorrer da vida sexual;
ER-Situacional: aparece momentaneamente, provocada por estresse crônico, baixa auto-estima ou outros fatores. Cerca de 80% dos casos de ER são de origem emocional, e as de maior prevalência são a primária e a situacional.

Sem vergonha
No diagnóstico, são levados em consideração fatores orgânicos que possam estar associados – como sintomas de doenças neurológicas, trauma ou cirurgia pélvica ou abdominal e sintomas do trato geniturinário –, uso de drogas leves, pesadas ou prescritas e outras disfunções sexuais, como a própria disfunção erétil. Também é necessário um bom exame físico, feito pelo médico urologista, seguido de exames laboratoriais

A vergonha de se expor é um grande empecilho que impede que o homem procure o psicólogo/terapeuta sexual para tratamento. É necessário que ele se cuide, pois existe tratamento para essa disfunção sexual. Caso contrário, fica difícil ele manter um relacionamento sexual e afetivo estável. Se você tem ER, não hesite, portanto, em procurar ajuda.