CONTO ERÓTICO
 

Em frente à câmera


por Charlotte Brunelli


Havia sido um dia sem grandes inspirações. Tentava me concentrar naquele texto na tela do computador, mas a imagem de Paul vestindo boxers e teclando comigo no MSN era forte demais.

Sem aguentar de saudades, fiquei online só para vê-lo mais uma vez, mesmo com o deadline se aproximando (sou colunista de uma publicação semanal).

Paul tem cabelos castanhos, olhos azuis, pele clara e barba cerrada. Mora na Nova Zelândia, e, para minha surpresa, apesar da diferença de horário – lá, já deviam ser 3h da manhã –, ele estava online. “Hello, baby!”, disse ele.

Nossas tecladas haviam me criado um estranho hábito. Agora, só sentava em frente ao computador arrumada e maquiada. Naquela noite, estava com meus cabelos negros soltos, caindo pelo ombro. Pus meu melhor batom e vesti uma blusa agarrada de alcinha, que empinava ainda mais meus seios – modéstia à parte, eles sempre foram bem durinhos.

Era estranho que, em apenas uma semana de conversa, eu já me sentisse tão atraída por aquele homem do outro lado do mundo – mas a verdade é que eu molhava a calcinha quando teclávamos. Por isso, a ideia de sexo virtual começou a martelar minha cabeça. Não sabia como introduzir o assunto, mas escolhi uma provocante lingerie preta de rendas para usar. Por via das dúvidas...

Logo, descobri que minhas preocupações eram tolas. Depois de alguns assuntos banais, foi ele que me interpelou:

– Gatinha, sei que pode parecer estranho, mas eu não consigo mais desgrudar deste computador e morro de tesão por você. Eu pensei que talvez nós pudéssemos...

– Fazer sexo virtual? – finalizei eu, ao perceber que ele simplesmente não terminaria a frase. Estrangeiros. Tão bobinhos...

A verdade, porém, é que, embora eu estivesse extremamente a fim de fazer aquilo, minha experiência no assunto era próxima de zero – mas, no fim, isso não foi um problema quando o “tímido” Paul se despiu na frente da webcam e começou a me dar as dicas: “Será que você poderia tirar sua blusa? Eu queria muito ver seus peitinhos!”, “Nossa, mas que calcinha linda! Esfrega na bocetinha, baby”, “Isso, rebola pra mim... Delícia!”.

Assim, fui tirando peça por peça: a blusinha, a minissaia, o sutiã e, claro, até a calcinha. Quando dei por mim, estava de pernas abertas, encharcando a cadeira e esperando a próxima ordem, enquanto ele digitava com uma mão só.

– Por que você não põe sua mão lá na chaninha para eu ver? Isso! Agora, finge que sou eu te tocando. Fecha os olhinhos um pouco. Vou parar de escrever. Vou ligar o microfone e você faz exatamente o que eu disser, sim?

– Claro.

A voz grossa me deixou ainda mais louca. Tentei ficar de olhos fechados, mas era impossível não bisbilhotar a cara de tesão dele enquanto batia uma punhetinha.

– Ai, baby, eu tô com muito tesão! Essa sua carinha de puta tá me deixando louco! Dá uma volta pra mim toda peladinha na frente da câmera?

Fiz o que pediu. Paul não aguentava mais:

– Ai, gatinha, hummm... Vamos gozar juntos? Eu quero te sentir! Estou te sentindo! Meu dedo tá na sua xoxotinha. Minha língua tá na sua orelha. Tô chupando bem devagarinho! Isso, gatinha... GOZA PRA MIM!

Aquela ordem foi como música. Entrei em uma espécie de transe e senti meu néctar escorrer, quente, por entre as pernas. Quando voltei, Paul me olhava com uma cara de homem cansado que gozou muito.

– Baby, agora, eu tenho um deadline aqui e preciso ir, tudo bem? – perguntei.

– Ok, estarei online. Goodbye, darling.