FETICHE

Gang bang: quem disse que elas não fazem?

por Vides Júnior

Se o assunto em questão fosse a liberdade sexual, o gang bang seria o argumento derradeiro em prol da mulher. O que é essa prática que atrai cada vez mais pessoas?


 

“Ela está à vontade no chão da sala. Junto dela – ou melhor, dentro dela! –, dois homens movimentam-se em frenesi, fazendo-a gemer, alucinada. Quando abre os olhos, dois outros homens estão em pé sobre ela, os membros duros balançando diante de seus olhos. Um deles a agarra pelos cabelos e enterra o mastro em sua boca, fazendo-a engasgar. Ela ouve comentários ao fundo. Numa rápida olhada, vê outros quatro homens aproximando-se. Sem que perceba, um jorro de porra atinge seu olho direito, cegando-a. Outro lhe enche a garganta. De repente, os jatos são despejados de todos os lados, lavando-a”.

O trecho acima parece retirado de um livro erótico ou de um filme pornô, mas, na verdade, é uma história real. Quem nos conta é Tânia, 34 anos, mulher voluptuosa, dona de casa, corpo esculpido por lipoaspirações e um pouco de silicone: “Comecei no clube de swing. Sempre reunia três ou quatro homens e me entregava, mas achamos – eu e meu marido – que, em casa, seria mais higiênico e seguro. Há um ano, fazemos reuniões de gang bang. Já reuni dez homens em torno de mim!”.

 

Uma mulher para todos
Gang bang, para quem não sabe, é uma variação do sexo grupal. Há uma única mulher, figura central da brincadeira. Em torno dela, um número indefinido de homens que têm como desejo submetê-la aos seus caprichos.

O gang bang nada tem de sensual ou erótico: é radicalismo puro! E isso nada tem de errado. Quem defende é Rogério, 22 anos: “Pelo menos uma vez por mês, consigo entrar numa gang. Na maioria das vezes, é sempre um casal que chama. O marido gosta e fotografa tudo, mas também comanda a cena e impõe os limites dele – mas a mulher está sempre disposta a fazer tudo que a gang mandar. É isso que faz a coisa ficar excitante!”.

Derek, 30 anos, completa: “Quando a garota é solteira, a gang tem mais liberdade de zoar com ela. Cada um se sente dono e a trata como quer. Às vezes, rola até uma agressão leve, mas a garota aceita na boa. Como ela vai protestar, com sete ou oito marmanjos batendo o pinto na cara dela?”.

 

Orgia exclusiva
Navegando numa comunidade do orkut que promove gang bangs, encontramos uma dupla chamada “Li e Lu”. Nos tópicos, uma proposta indecorosa: “Queremos reunir oito homens, quatro pra cada uma de nós. Não há regras! Só não aceitamos scat*! Preferência para os bem-dotados. Temos local e tempo livre. $$$$”.

Li e Lu nada mais são do que duas garotas de programa que descobriram o gang bang e se aproveitam dele para faturar uma boa grana. Foi difícil falar com elas, mas conseguimos – e eis o que descobrimos!

Li: “Leilão, meu querido. Os rapazes dão o lance, nós pedimos pra cobrir. Atendemos somente aqueles que pagarem mais. Por isso, só atendemos homens bem-sucedidos”.

Lu: “Numa única noite, conseguimos o dinheiro da faculdade, das roupas e do flat onde vivemos – e, como somos profissionais, deixamos a gang bem à vontade”.

Li e Lu juram que, numa só noite, já reuniram três deputados, um publicitário famoso e seu assistente e dois repórteres esportivos. “Era gente famosa. Um anônimo ali colocaria em risco a reputação daqueles homens. Naquele dia, todos tinham o rabo preso”, conta Li.

Como você pode ver, amigo leitor, o gang bang tem seus adeptos até entre as celebridades! Alguém aí conhece alguma?

 

Fogueira de fetiches
Invariavelmente, durante o gang bang, quase todos os fetiches aparecem. Não é à toa, pois, na mente dos homens, ocorrem verdadeiras “batalhas hormonais”. Competindo pelo papel do mais macho entre todos, muitos submetem a garota aos caprichos mais radicais.

Presença constante nas gangs são, por exemplo, os sádicos. Sempre há mais do que um, e eles acabam extrapolando e comandando toda a situação. Dominação, spanking, chuva de prata, fisting... São apenas alguns dos ingredientes “extras” que surgem no gang bang.

Cínthia, 27 anos, oito gang bangs no currículo, conta como os fetiches viram realidade no processo: “Quando você entra no meio de uma gang, rola de tudo. Voyeurismo, DP, bukkake, espanhola, drink cum [NR: beber porra] e tudo que vier. Você é uma só e, depois que entra no jogo, vira objeto dos homens. Tem que relaxar e aproveitar, porque demora deixar todos eles satisfeitos”.

Tânia assina embaixo: “Você tem que ter pulso firme pra segurar a situação. Se deixar, eles arrancam sangue, machucam e deixam marcas fortes. Tem que controlar os mais radicais, mas não pode querer ser puritana. Quem entra numa gang vai fazer anal, oral, vai beber muita porra e vai levar muito tapa. Levo dois dias pra me recuperar fisicamente”.

Seja qual for o segredo, o fato é que os gang bangs são fenômenos cada vez mais comuns nos dias de hoje. Sorte das mulheres. Quem foi que disse, afinal, que elas não podem se aventurar?

 


*scat = fezes