FETICHE
 

O fascínio dos olhos puxados

por Vicente Montanha

O desejo pelo exótico fascina a mente de muitos homens. Talvez por isso, muitos não resistam à piscada de um par de olhos puxados. Nas linhas abaixo, tentamos desvendar todos os mistérios das mulheres orientais e seus amantes.


Não é o só o cantor Supla, autor da música Japa Girl, que declara o fetiche por orientais. Muitos homens também são fascinados pelas mulheres do outro lado do mundo. O responsável por isso talvez seja mesmo o charme desses olhinhos puxados, mas a resposta é algo muito pessoal de cada admirador das beldades asiáticas.

“Sempre gostei de japonesas. Minha primeira namorada era descendente, e as demais também. Sou apaixonado pela cultura oriental e acho que as mulheres que vêm daquele país têm um algo a mais”, afirma o publicitário Otávio Maia Junior, 23 anos.

É justamente esse “algo a mais” que procuramos descobrir. Como, no Brasil, a imensa maioria dos imigrantes asiáticos é japonesa, tomamos como enfoque os descendentes desse país, embora as divas chinesas, coreanas, tailandesas e vietnamitas não possam ser esquecidas.

De qualquer forma, é inegável o poder dessas mulheres sobre alguns homens. Muitos justificam isso na beleza, na inteligência, na fragilidade, na simpatia e principalmente no charme das gatinhas japonesas.

“Acho que a mulher nipônica exerce uma magia diante de alguns homens por causa de sua beleza externa e interna. As japonesas geralmente são mais envolventes, conseguem cativar qualquer homem, mas é claro que não são todas”, afirma o exigente estudante de turismo Caio Justines, 21 anos.

No quesito descendente de orientais, uma das mais belas, sem dúvida, é Sabrina Sato, apresentadora que pousou nua duas vezes em uma revista masculina, vendendo milhares de exemplares, e hoje cede sua beleza à televisão, no programa Pânico na TV.

Nem só de Sabrina, porém, vivem os admiradores das nipônicas. Nas ruas do bairro da Liberdade, em São Paulo, ou qualquer outro centro de imigrantes asiáticos, um amante dessas mulheres pode ficar completamente louco, tamanha a quantidade de belos exemplares a contemplar.

Felizmente, a concentração nipônica no Brasil é grande, perdendo apenas para as comunidades portuguesa e italiana, mas antes de se tornarem um fetiche para tantos homens, as japonesas sofreram muito para conquistar o seu espaço no País.

Como tudo começou
A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo e no norte do Paraná; o Japão precisava aliviar a tensão social no país, causada pelo alto índice demográfico. Para conseguir isso, o governo japonês adotou uma política de emigração desde o princípio de sua modernização, iniciada na Era Meiji (1868-1912).

O primeiro navio contendo imigrantes japoneses, o Kasato-Maru, deixou o porto de Kobe em 28 de abril de 1908 e atracou no porto de Santos no dia 18 de junho daquele ano. O povo enviado ao Brasil trazia na bagagem uma cultura milenar, além do sonho de enriquecer – afinal, as propostas de trabalho nas lavouras de café pareciam muito promissoras.

Os imigrantes, porém, descobriram uma outra realidade. Tornaram-se praticamente escravos nos cafezais paulistas, trabalhando muitas vezes sem condições adequadas de higiene. Aos poucos, perceberam que somente com união conseguiriam conquistar sua independência, mostrando uma das qualidades desse povo oriental.

Shiatsu
Não foi só a união que se mostrou uma das características dos nipônicos. A massagem oriental também é muito apreciada pelos moradores desse lado do mundo, mas já é uma qualidade voltada mais para as mulheres.

Utilizando as mãos para relaxar o corpo e curar algumas dores, muitas japonesas conseguiram conquistar homens ocidentais e aumentaram, assim, o fascínio que exercem diante de nós.

O estilo de massagem japonesa mais conhecida é o shiatsu, aplicado por meio da digitopressura, ou seja, pressionamento de pontos estratégicos do corpo pelas mãos. Bastante recomendada por alguns médicos, essa massagem, quando bem aplicada, pode curar dores reumáticas, dorsalgias, lombalgias e ciatalgias – mas deve sempre ser feita por profissionais competentes, afinal, não basta ser apenas um descendente de japonês para saber aplicar corretamente o procedimento.

Gueixas
Assim como não é qualquer moça de olhos puxados que sabe fazer uma boa massagem, nem todas as japonesas podem ser consideradas gueixas. Aliás, existem pouquíssimas delas no mundo – cerca de 2 mil – mas certamente elas são uma das grandes responsáveis pelo desejo que muitos homens nutrem pelas asiáticas.

A imagem dessas mulheres maquiadas de branco e vestidas em belos quimonos sempre fascinou o Ocidente, afinal, fora do Japão, é comum que sejam vistas como prostitutas de luxo. Um equívoco que explica, ao mesmo tempo, o preconceito e o romantismo que as cercam.

Os clientes atuais de uma gueixa são, em sua maioria, homens mais velhos, de alto poder aquisitivo, ou seja, pessoas que querem manter vivas as tradições milenares dessa cultura. O encontro com uma dessas mulheres envolve o canto, a dança e todo um jogo teatral.

De acordo com estudiosos da cultura nipônica, uma gueixa vende aos seus clientes o sonho de uma mulher perfeita, fazendo com que eles se sintam atraentes e importantes, mas, para atingir tal status de perfeição, são necessários anos de dedicação e esforço. Uma gueixa começa seu aprendizado na adolescência, geralmente entre 13 e 15 anos de idade, e atinge o grau de máximo somente na vida adulta.

Massagem, gueixas, inteligência, charme e sedução. Esses são apenas um dos motivos que podem nos tornar um amante das asiáticas, mas uma coisa é certa: abra bem os seus olhos quando encontrar uma mulher com essas características pela sua frente. Com certeza, você não vai se arrepender.