FETICHE
 

Fofuras de prazer

Nem todo homem gosta daquela barriguinha sarada e de um corpinho malhado. Alguns jamais trocariam uma fofinha por uma magrela...

por Vicente Montanha

“Amo você assim e não sei por que tanto sacrifício. Ginástica, dieta, não sei pra que tanto exercício. Olha, eu não me incomodo com um quilinho a mais, não é antiestético. Pode até me beijar, pode me lamber, que eu sou dietético”. Esse é o começo da música Coisa Bonita, de Roberto Carlos, dedicada às gordinhas – e também o hino de muitos homens, que, na hora de escolher uma mulher, optam pelas mais rechonchudos.

“Eu não dispenso uma magrinha, mas, se for para escolher uma preferência, tenho que admitir que eu gosto mesmo é das gordinhas. São mais carinhosas e também têm muito mais carne para pegar”, brinca o jornalista Matheus Pereira*, 26 anos.

A opinião dele é exceção na sociedade em que vivemos. O mundo de hoje é ditado por um padrão de beleza rígido, que não deixa escapar nem um quilinho, nem uma flacidez ou uma gordurinha fora do lugar. Por isso, muitas mulheres sofrem, suando nas esteiras das academias e até passando fome.

Nem sempre foi assim. No século 17, por exemplo, as mulheres mais bonitas eram as mais roliças, principalmente aquelas com uma barriguinha bem protuberante. Naquela época, a ideia de beleza estava associada à riqueza – e ser gorda era sinal de dispor de conforto, de não andar muito, de não fazer exercício físico. O padrão de beleza feminino era uma mulher mais mole, mais gordinha, como comprovam as pinturas da época.

Essa ideia foi mudando com o crescimento das grandes cidades. As mudanças fizeram com que as mulheres passassem a ter mais contato com outras pessoas nas ruas, implicando em um novo movimento do corpo. A maior autonomia dada a elas com o passar do tempo também contribuiu para uma transformação no padrão de beleza.

As mais gordinhas, porém, não precisam se desesperar. Os homens tarados pelas fofinhas existem, afinal, como diz o ditado popular, “para cada pé cansado, existe um chinelo velho”.

Alguns homens já encontraram sua calórica princesa, mas, se você ainda está procurando, não desista: muitas mulheres adorariam conhecer pessoas que não ligam para os famosos pneuzinhos.

O casal gordelícia
O médico Erick Gianocco*, 40 anos, sempre foi aficionado por uns quilinhos a mais. “Desde pequeno, eu gostava das mais gordinhas. Meus amigos tiravam sarro da minha cara, mas eu não ligava, afinal, era o meu gosto. Só uma vez eu namorei uma magra, mas não gostei muito: ficou faltando alguma coisa”, afirma o homem que, de fofo, não tem nada: pesa 78 kg e mede 1,80m de altura.

Já a atual namorada de Erick, a operadora de sistemas Kátia Tavares*, 30 anos, 130 kg muito bem distribuídos em 1,82 m de altura, não tem preferências estéticas quanto ao homem ideal, mas afirma que é apaixonada por seu companheiro. “Quando decidi que faria uma operação de estômago, ele chiou. Disse que não ia mais gostar de mim, quase chorou. Expliquei para ele que seria importante, a minha saúde ia melhorar muito. Além disso, eu continuaria sendo um pouco gordinha”, diz Kátia – mas e o sexo entre eles?

Com a mulher pesando 50 quilos a mais que o homem, algumas posições ficam complicadas de fazer, mas Erick diz que o amor supera tudo e, quando o assunto se resolve entre quatro paredes, os dois não encontram problema algum. “A Kátia é maravilhosa na cama, a mulher que sempre sonhei. Adoro todas as dobrinhas dela, e o sexo entre nós é muito bom. Não existe problema algum por eu ser magro e ela, fofinha. Até consigo carregá-la no colo”, afirma, orgulhoso.

Símbolo sexual
No entanto, nem todas as fofinhas têm a sorte de Kátia e encontram um homem como Erick.

Muitas ficam complexadas com os quilinhos a mais, escondendo-se atrás de roupas largas, fugindo do espelho e tendo muita vergonha do corpo. Para essas mulheres, um dos exemplos que podem ser seguidos é o da cantora Preta Gil.

Filha do cantor e compositor Gilberto Gil, ela “chocou” o país em 2004, quando posou nua no encarte de seu primeiro CD, Prêt-À-Porter. A cantora exibiu todas as curvas, afirmou que tinha muito orgulho de seu corpo roliço e levantou uma bandeira para todas as gordinhas.

Embora tenha sido uma estratégia comercial de Preta Gil, ela rapidamente se tornou musa dos homens que não gostam de nada dietético, que não procuram mulheres com o corpo sarado. Será você um deles?


* Nomes trocados para preservar identidades.