Gozando de um bom livro

por João Marinho

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Para muitos, o Brasil não é propriamente o país da leitura. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 3, do Instituto Pró-Livro de São Paulo, com dados atualizados até 2011, são consumidos, no País, quatro livros por habitante durante o ano. É um índice abaixo do do Chile e da Argentina, com 5,4 e 4,6 livros por habitante, respectivamente... E abaixo do índice espanhol, com 10,3 livros no mesmo período.

Claro que nem todos concordam com a afirmação de que o Brasil lê pouco ou “não lê” livros, mas é fato que fazer com que o País leia mais não é má ideia para ninguém – e há alguma sugestão de fazer o brasileiro e a brasileira consumirem mais livros? Várias. Baixar os preços, popularizar as livrarias e os tablets e smartphones (dá para baixar livros por lá), melhorar a educação e estimular o gosto pela leitura desde cedo, gozar...

Não, você não leu errado. Sem trocadilhos.

Gozando de um bom livro, você toma gosto pela leitura, e a experiência será sempre muuuito prazerosa... Não podemos garantir a concentração, mas que, pelo menos, será divertido, isso será.

Gozando de um bom livro é também o nome de um projeto idealizado pela trupe formada por Pedro Paulo Vieira Diniz, Luiz Cardoso, Adriano Riva e o incógnito Lobo Mau Onifodente e foi inspirado em um original norte-americano. Funciona assim: uma convidada procura ler um romance em frente às câmeras enquanto é sexualmente – e anonimamente – estimulada. Será que ela consegue?! Aí é que está a graça da coisa, que já tem cinco episódios no ar.

Para esclarecer tudo sobre essa excitante forma de ler, confira a entrevista que Pedro Paulo Vieira Diniz, um empreendedor de 29 anos formado em Publicidade e Propaganda pela FAAP e Rádio & TV pela Anhembi Morumbi, concedeu a Sexsites.

Sexsites: Certo. A primeira pergunta é óbvia. Afinal, de onde surgiu a ideia de fazer o projeto Gozando de um bom livro?

Pedro Paulo Vieira Diniz: Gozando de um bom livro é uma adaptação da webserie norte-americana Histerycal Literature, do fotógrafo Clayton Cubitt. Só que, enquanto ele trabalha com atrizes pornôs, decidimos, de início, focar no público feminino comum até a entrada da Bianca Jahara no episódio 4, madrinha do projeto e amiga muito querida. Graças a ela, obtivemos mais de 500 mil views naquele episodio. Ela é apresentadora do programa Penetra, da SexyHot. Ela foi seguida pela “surpresa” do episódio 5...

Sexsites: Certo, então as pessoas que participam não são profissionais pornôs – mas possuem outra carreira artística, sei lá, como atrizes ou modelos?

Diniz: Elas permeiam pela área. Algumas. O primeiro e o terceiro episódio contaram com mulheres comuns. Já o segundo e o quarto foram com gente que trabalha nessa área: a Lasciva, do episódio 2, possui um site de contos eróticos. O Alexandre Belluno [NR: o único homem a participar e a “surpresa” do episódio 5] é ator e modelo.

Sexsites: Mas, afora isso, a proposta é idêntica à da Histerycal Literature?

Diniz: Sim, sim, mas existem duas diferenças: a escolha das leitoras – no caso da Hysterical, atrizes pornôs – e o uso de cor. Enquanto o Clayton trabalha com o preto e branco e fundos idênticos, nós fugimos disso. A partir do terceiro episódio, quis implementar uma identidade visual e uma direção de arte que dessem personalidade própria ao Gozando.

Além disso, o o uso de um leitor, homem, no episódio 5, foi um grande trunfo, pois ninguém havia tentado isso antes. Finalmente, com a Bianca Jahara, que já citei, conseguimos ampliar o alcance do projeto, sendo o episódio com maior número de views, condição ideal para o seguinte, que trouxe a novidade de ter um leitor. Esse último foi o que teve maior repercussão. Quer dizer, atingimos nosso objetivo: geramos interesse.

Sexsites: E por que, ao contrário da Hysterical Literature, utilizar um homem no quinto episódio?

Diniz: Desde o lançamento do primeiro episódio em 2012, notamos diversos pedidos para uma versão masculina. O grande público da série é masculino, mas a série não é feita exclusivamente para esse público. O próprio nome abre o leque para infinitas possiblidades, não apenas para mulheres lendo o livro. Por isso, a pegadinha inicial com a leitura “dose dupla” no início do episódio 5, com a rainha do carnaval, Maísa Magalhães, e a rainha das tatuagens, Amanda Armelin.

Sexsites: Mas de quem vieram esses pedidos?

Diniz: Apareceram nos comentários dos vídeos no YouTube. Vira e mexe, sempre apareceu algum pedido. Sempre feito por mulheres ou gays.

Sexsites: Aí, entra uma pergunta: o público era mais masculino hétero porque eram mulheres as leitoras? Ou vocês optaram pelas leitoras porque, antes, veio o interesse do público masculino?

Diniz: A utilização de mulheres sempre foi mais bem-vinda, tanto pelo público que acompanha a série, massivamente masculino, quanto por aceitação da mídia.

Sexsites: Então, vocês quiseram polemizar com o Alexandre Belluno?

Diniz: "Polemizar" não seria a expressão certa. Eu diria “quebrar paradigmas”. Afinal, se os homens héteros podem se divertir, por que não as mulheres e os gays?

Sexsites: Como o público feminino reagiu ao Gozando?

Diniz: Elas sempre levaram na brincadeira os episódios. A partir do uso de cor e vinheta de abertura e fechamento – episódio 3 em diante –, começaram, inclusive, a elogiar.

Sexsites: E, afinal, o que acontece embaixo da mesa de leitura [risos]?

Diniz: Eis a pergunta que não quer calar [risos]. No caso das mulheres, utilizamos um vibrador sem fio e uma mão (ou boca) “amiga”. Leia-se: sempre o parceiro/parceira da leitora convidada. No caso do leitor, no episódio 5, foi um masturbador masculino e aquela mão trabalhadora para o trabalho manual ou boca guerreira. O leitor namora uma mulher, então, rolou aquele trabalho manual de uma mão amiga feminina.

Sexsites: E o projeto tem fins lucrativos? Se não, qual a finalidade?

Diniz: Estamos buscando por patrocínio. O projeto é uma parceria entre a SF13 Produções, Papai Chegou e Santa Igreja da Onifodência. A equipe acredita no projeto e o vê como um grande estudo comportamental. Uma proposta irreverente, que mostra o que há de mais íntimo, com muito bom humor e sem revelar nada. Afinal, a imaginação não tem limites...

Sexsites: Mas o estudo comportamental tem um objetivo? Algo que está sendo provado?

Diniz: Ainda estamos na linha do entretenimento. Não há um estudo científico por cima disso, mas abre leque para muitas análises.

Sexsites: Por hora, tudo é feito com recurso dos produtores?

Diniz: Sim, e com muito amor e fé no projeto! No último episódio, conseguimos apoio da marca Briefs Men Underwear Brazil, dos queridos Marcelo Pedrozo e Pedro Toscano. Para as mulheres e gays, há um ensaio de roupas íntimas com Alexandre Belluno na Praia do Arpoador, no Rio. Essa proposta de ensaio será utilizada em outros episódios, para exposição de marca e busca por patrocínio.

O Gozando de um bom livro fala sobre intimidade, sexualidade e um formato diferente de abordá-la. Numa época em que todos dizem que não há pudores, ainda há constrangimento em ver alguém gozando. Talvez exatamente por não ser um ator ou atriz pornô: uma pessoa comum gozando. Isso gera muita proximidade com o público. Esse estreitamento gerou retorno além das nossas expectativas. Todos querem opinar, comentar. É o gozo deslocado do universo erótico, pornô.

Sexsites: E a audiência, como está? Eu vi que vocês têm fan pages e canal no YouTube...

Diniz: O canal do YouTube passou, recentemente, a marca de 1 milhão de views e 4 mil inscritos. Do quarto para o quinto episódio, passamos dos 500 mil views, com a Bianca Jahara, para quase 70 mil views, o que se deve à divergência de público. Ainda não entramos no meio gay nem no público feminino e não houve apoio de mídia, mas isso mostra que há força por trás e existe um público interessado.

Sexsites: Então, a ideia de pôr um rapaz não foi bem-sucedida?

Diniz: Não há como esperar muito após estourar com o vídeo anterior, ainda mais com uma aposta arriscada dessas. Diria que a proposta foi bem-sucedida, sim, uma vez que não havia público para se trabalhar. Pessoalmente, vi que o episódio trouxe muita atenção para a homofobia e o machismo, gerando discussões dentro dos comentários de mulheres e gays, que apontaram isso em alguns comentários héteros masculinos, muitas vezes, de baixo calão. A gente dá um desconto, pois colocar duas mulheres e mudar para um homem é como dar doce na mão de criança e tirar em seguida [risos]. Agora, a recepção às mulheres foi boa mesmo com o público feminino. Os homens héteros, porém, odiaram a partir do momento que apareceu o cara.

Sexsites: Quem escolhe os livros?

Diniz: Pedimos que o leitor/leitora escolha o livro. É sempre pessoal para eles – e que o livro não seja de forma alguma de cunho erótico.

Assista ao episódio 4

 

Fique de olho!

A Casa das Brasileirinhas tem sua própria versão da Hysterical Literature, o Gozo Literário! Confira acessando aqui!


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