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Matteo Swaitz: novo diretor no pornô italiano

por Valter José

Os italianos não caíram totalmente no conto dos vídeos gonzo, com suas cenas repetitivas, violentas e, na minha opinião, burras – e também não estão nem aí para a crise econômica que se espalha pelo mundo.

Hoje, as produtoras italianas estão entre as que mais produzem na Europa e, como no futebol – quando em 2006, venceram a seleção do mestre Zidane –, também conseguem superar os franceses no pornô.

Sexo alternativo

A pátria do “Il Maestro” Mario Salieri está conhecendo Matteo Swaitz, um jovem apadrinhado pelo diretor e produtor Silvio Bandinelli, com todas as bênçãos possíveis.

A ideia é fazer filmes pornôs para um público mais alternativo, mais underground, mas sem se afastar da tradição pornográfica italiana, que começa com Ricardo Schicchi – o descobridor de Cicciolina – e passa por Luca Damiano e Joe D’Amato até chegar ao grande Salieri.

O próprio Matteo Swaitz é filho da contracultura e do underground de Roma. Seu mundo está nas raves, no cinema alternativo, na música eletrônica – Swaitz é o sobrenome de um DJ alemão. Além disso, ele foi um adepto do sexo alternativo e um fã do consumo recreativo de drogas.

Ao mesmo tempo, o jovem é um cinéfilo. É fã do neorrealismo italiano e da nouvelle vague francesa. Trata-se, portanto, de um diretor com boa base cultural.

Antro e carreira

O primeiro filme de Swaitz para a Showtime, produtora de Silvio Bandinelli, foi Mucchio Selvaggio, que atraiu a atenção de jornais como o La Repubblica, uma publicação semelhante à Folha de S. Paulo e a O Globo, no Rio.

Swaitz quer “rejuvenescer um pouco o pornô”. Na verdade, disse ele à revista Hot Video, “não quero dizer que quero ser um neorrealista, mas me inspiro nas pessoas que conheço e nas situações que vivo”.

O jovem diretor, cameraman e roteirista tem um estilo que é a soma pós-moderna de Ricardo Schicchi e Mario Salieri, além da virilidade meio chauvinista e machista típica dos italianos, mas com cores irônicas e críticas e pinceladas de pessimismo e amargura.

Swaitz, como John Leslie, Paul Thomas e Salieri, vê a humanidade como um antro, que submete a pessoa. O sexo é o instrumento para representar essa humanidade. Uma visão muito coerente para um jovem italiano, ex-marxista e descrente da revolução...


Imagens: Arquivo pessoal/Flickr.com e Divulgação