PERFIS E ENTREVISTAS

O lado rosa da vida

Já ouviu falar em meninas ficha rosa ou ficha branca? Conheça um pouco a vida dessas que embelezam, com a luz acesa ou apagada, os eventos

por Ana Luiza Ribeiro

  

 

Sem sombra de dúvidas, pelo menos uma vez na vida, você deve ter ido a algum evento ou feira que ocorre em São Paulo ou em outras grandes cidades brasileiras e se deparado com aquelas modelos lindas e simpáticas nos estandes.

Bom, se você acha que aquelas miragens fazem mais do que apenas prestar atendimento ao público, você acertou! Mas não são todas. Por isso, não marque bobeira.

Esses eventos contam com dois tipos de profissionais, as fichas brancas e as fichas rosas. A principal diferença entre elas é que, sendo ficha rosa, a moça presta um tipo de serviço mais VIP, chegando a “esticar” seu horário de trabalho com os clientes e frequentadores da feira ou evento.

Prazer valorizado

Como tudo na vida tem seu preço, esse serviço VIP chega a custar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por hora (!), segundo afirma Eliana B.*, que trabalhou durante dez anos em uma empresa que contratava meninas: “Se, quando vamos contratar uma moça, elas ainda desconhecem os termos, imagina há dez anos – ficha rosa e ficha branca são ‘códigos’ usados no mundo de seleções e castings. Era difícil contratá-las. Primeiro, pelo fato de não conhecer os benefícios ‘a mais’ que receberiam; segundo, porque muitas tinham medo de sofrer com o preconceito ou algum tipo de violência durante os programas – mas, quando se deparavam com o valor que podiam ganhar por um único dia de trabalho, acabavm aceitando”. Mesmo não trabalhando mais nesse ramo, Eliana conta que hoje as empresas optam preferencialmente por contratar fichas rosas, por desejo do próprio cliente.

É importante ressaltar que o Código Penal brasileiro considera agenciadores de garotas de programa e as casas de prostituição como condutas criminosas, mas nem todas as agências intermediam a modelo com o intuito de obter lucro sobre seus programas realizados. “Na empresa onde trabalhava, o rendimento ficava com as garotas. Nós nem chegávamos a receber o dinheiro do contratante. Ele depositava diretamente na conta da jovem”, conta Eliana, que completa: “Sou totalmente a favor de as agências de ‘fachada’, que exploram essas meninas, serem investigadas, fechadas e penalizadas, porque explorar é totalmente antiético”.

Segredos para o sucesso

Alguns cuidados são essenciais para que as modelos continuem mantendo seus cachês em alta. São eles: não fumar nem usar drogas, para não estragar a pele; fazer exercícios físicos todos os dias; não comer frituras ou carboidratos e, por fim, tomar algumas vitaminas para manter a disposição. M.L*. tem 22 anos e, há quatro, trabalha como ficha rosa. Quando perguntada sobre o que uma modelo precisa ter para ser dar bem ela, não hesita: “Corpo bonito!”. 

No entanto, não é só da saúde do corpo que é importante cuidar. A saúde no trabalho é imprescindível. No que diz respeito à camisinha, Olla e Prudence são as melhores, pois não estouram com facilidade. Há também as distribuídas gratuitamente pelos serviços de saúde.

Usar gel lubrificante é legal, mas nunca em excesso. Manter as partes íntimas limpas conta como ponto extra: “O sabonete líquido íntimo, além de manter um cheiro agradável, também lubrifica”, explica M.L.

O outro lado da moeda

As roupas de marca, restaurantes caros, carros do ano, viagens internacionais e o dinheiro podem mascarar os motivos que levam uma garota a viver esse estilo de vida. O que muitas não contam é que, quando aceitam um trabalho, estão sujeitas a também passar por situações desagradáveis – mas, como o dinheiro é bom, elas encaram.

Muitas veem no trabalho como acompanhante uma oportunidade. “Quando perdi o emprego, era a única chance de pagar minhas contas, então aceitei – mas não quero levar essa vida para sempre. Assim que alcançar meus objetivos, eu vou parar. Depois que começamos a trabalhar como ficha rosa e conseguimos levar uma vida boa sem precisar pegar no pesado durante oito, nove horas, não queremos mais ser dependentes, nem mandadas por nenhum chefe. Assim que conseguir abrir meu próprio negócio, que é meu sonho, eu largo essa vida de eventos e feiras”, diz M.L.

Imagens: Michael Creagh/Reprodução Cesar Breton