CONTO ERÓTICO
 

O oposto da dor


Por Carla Moreno


Era minha primeira sessão como escrava – ou melhor, pretendente a tal, já que meu futuro senhor havia sido claro ao dizer que eu teria de fazer “tudo direitinho”, para que finalmente fosse só dele.

Realmente, não havia me dado conta de onde estava me metendo. Depois de sete longos anos de namoro monogâmico, lá estava eu me metendo outra vez com um cara que me queria todinha para ele.

Aliás, estava ali algo que não compreendi sobre as tais relações sadomasoquistas: por que eu, como escrava, haveria de ser de um só senhor, mas ele podia ter quantas quisesse? Mas, enfim, por ser nova no meio e ter apenas a vocação, decidi não questionar muito e ir ao encontro de Gustavo.

Bastou eu chegar para um homem quase nu me dizer, com voz grave:

– Então? Pronta para sua iniciação?

Acenei com a cabeça que sim, embora não tivesse a mínima idéia do que pudesse me acontecer. Ele permanecia sério e, pouco a pouco, com a voz lânguida, me passou as regras do jogo:

– Vamos começar com algo leve, mas, se ainda assim, estiver muito “pesado”, você pedirá por piedade, para que eu pegue mais leve, ou misericórdia – para que paremos tudo, certo? Você também terá de usar esta venda.

– Sim, senhor.

Plaft! – Foi o som do que senti quando ele deitou uma palmada sobre minha bundinha – que, modéstia à parte, é um chuchuzinho. Achei que começaríamos devagar.

– Não me lembro de ter permitido tais palavras. Da próxima vez, haverá conseqüências.

Resolvi me calar. Já que havia chegado até ali, faria direito. Tentei me concentrar. Não pediria piedade ou misericórdia tão cedo. A mão enorme estalava na minha bunda cada vez mais afoita, mas, a cada grito meu, sentia que ainda não era o instante de parar.

Não conseguia ver o rosto do meu “carrasco”, mas a imagem daquele homem desconhecido olhando pra minha bunda e ficando duro de tanto me castigar me excitava.

Acho que era um dom. Definitivamente, eu era talhada para o papel de escrava. Queria que ele me comesse, que enfiasse seu pau, que eu já sentia duro, no meu cu – tanto quanto queria ser dominada! Apanhar era mesmo uma delícia!

Minhas nádegas estavam em chamas. Podia mesmo senti-las inchadas quando ele começou a lambê-las e pegar forte na minha chana cabeluda que ele parecia adorar. Era gostoso ter aquela mão de homem me apalpando, pronto pra me comer.

Meus movimentos eram todos coordenados por aquela mão pesada. Não havia nada além de escuridão. De olhos tapados, meu mundo havia se resumido a apanhar e confiar naquele que me batia.

Minhas breves divagações foram interrompidas, contudo, pela sensação de vazio. Não havia sido comida ainda e não sabia por quê.

Fui acometida então por uma sensação gostosa de um produto quentinho e melecoso no meu rabo. O que era, não sei, mas não importava. Estava apenas contente por ter escolhido um mestre tão gentil e delicado comigo.

Em segundos, porém, minha gratidão quase se esvaiu. Um objeto fálico e gelado adentrava meu cu, e isso definitivamente não era bom. Tive mesmo dificuldades de permitir sua passagem.

– Relaxa, menina – ordenou.

Relaxei, pois era uma ordem – e, sem querer, o negócio ficou bom. Muito bom. Ele, pelado, começou a se roçar em mim e passar os dedos ainda lubrificados pelo meu corpo.

Os pêlos deles grudando-se à minha pele macia e enfiando aquela coisa em mim era algo surreal e agradável. O tesão foi chegando rápido demais, e foi gostoso! Me senti toda preenchida – comida por trás e masturbada na frente. Queria gozar!

– Quer eu te foda mais, hein? – perguntava.

Sim, queria! E queria dizer isso, mas lembrei de minhas ordens expressas, de não dar um pio.

– Goza pra mim, gostosa. Goza, vai!

Isso, sim, era uma ordem “boa” – e, já que era uma ordem, gozei até ficar com a boceta toda melada. Podia sentir meus pêlos negros grudarem uns nos outros e até o líquido escorrer por minhas pernas.

O mestre ainda teve o cuidado de me lamber toda antes que fosse embora. Depois, saiu. Com sua voz grave e já distante, disse-me que eu podia tirar a venda e sair por onde havia entrado – e sumiu. Saí leve e contente, mas sem saber se fui aprovada como sua mais nova escrava.