FETICHE

Batatinha quando nasce...

por Luciano Rodrigues

Já dizia o ditado que gosto não se discute. Quando o gosto em questão é um fetiche, menos ainda. Então, não estranhe o tema desta reportagem: tarados por panturrilhas!


Tarados por Panturrilha

Essa parte da anatomia feminina costuma ser pouco lembrada pela maioria dos homens, que, em tempos de pouca sutileza como os atuais, preferem bundas e peitos grandes. Isso torna esses aficionados um grupo restrito.

Olhando pra baixo

O publicitário Paulo César é um deles. Trata-se de um sujeito boa-pinta, alto e forte, do tipo que faz sucesso entre as mulheres – mas ele tem seu gosto bem definido: “Cara, é muito esquisito. Saio com meus amigos e fico olhando pra baixo, pras ‘batatas’ das mulheres. Às vezes, me sinto meio ‘fora do comum’. O pessoal tira sarro de mim, mas eu me divirto com as gozações. A sequência é a seguinte: olho para o rosto primeiro, antes de mais nada. Na boa, mulher feia, não dá! Passou pelo primeiro teste, vou para o que mais me interessa: as panturrilhas. Se ela tiver uma panturrilha grossa, forte – principalmente, se estiver em cima de um salto daqueles bem altos... Aí, já era!”.

Não para por aí. O publicitário é daqueles radicais: “Já cheguei a desmanchar namoro por causa disso. Não que mulheres com pernas finas não me excitem, mas é que, com as ‘batatas’ grossas, dá aquele toquezinho a mais que me deixa maluco” – mas, apesar de ser alvo das piadas dos amigos, Paulo César não está sozinho no mundo.

O empresário Renato Rossi confessa que também faz parte desse seleto grupo. Ele conta que o fetiche já lhe rendeu algumas situações inusitadas: “Aconteceu uma coisa comigo, uma vez, que entrou pra história. Já faz um tempão, mas ainda hoje rende muita risada nas mesas de bar com o pessoal. Eu estava em uma festa de casamento de um amigo, quando vi uma morena linda, linda, linda, olhando pra mim. Olhei para baixo e fiquei maluco. O vestido, longo, tinha duas fendas embaixo, justamente por onde saíam as panturrilhas da gata. Fui tirar para dançar”.

Até aí, nada demais, certo? “Depois da festa, toda aquela bebida de graça, ela foi se empolgando, eu também. Saímos dali direto para o meu apartamento. Beija aqui, beija lá, tira a roupa, passa a mão... Até que cheguei ao ponto que eu queria – mas perdi a noção do tempo. Fiquei olhando, apertando, beijando [as panturrilhas] muito tempo. Até que a moça se cansou e disse: ‘Escuta, está gostoso e tal, mas eu não posso passar a noite toda com você. Tenho que voltar pra casa’. Me senti um panaca, deu aquela esfriada no tesão, paguei um baita mico. Até hoje, me sinto mal quando lembro daquilo”, conta o empresário, em uma mistura de riso e constrangimento.

Plantando batatas

Não pense, porém, que nossos amigos são amantes incondicionais. “Não pode esculachar. Não dá pra uma mulher aparecer com a perna peluda ou cheia de marcas roxas e achar que a gente vai ficar babando”, explica Renato Rossi. Então, depilação é fundamental. Usar um bom hidratante, para ficar com a pele macia, também. As roupas, como sempre, devem destacar a panturrilha. “Aquelas calças que acabam no joelho, não sei o nome direito, são de matar. Saias curtas também ficam muito legais”, palpita Paulo César.

Outro fã incondicional, o dentista Roberto Espósito, dá algumas dicas para a “turminha”: “O melhor lugar para encontrar mulheres com as ‘batatas’ das pernas fortes é em academias. A maior parte das mulheres malha muito as pernas, então desenvolve legal – mas não tente encontrar isso nas praticantes de natação. Como aquela musculatura é menos exigida, elas desenvolvem muito mais os ombros, as costas, até as coxas, mas a panturrilha acaba não crescendo. Então, não é legal pra quem gosta”, analisa, com ar de teórico.

Apesar da importância que dá a essa parte do corpo, Espósito confessa que as panturrilhas grossas são fundamentais, mas não são tudo. “Já me dei mal com esse fetiche. Namorei uma menina que era jogadora de vôlei profissional e, graças aos treinos, tinha as ‘batatas’ das pernas lindas, saradas, fantásticas – mas, na hora do sexo, não dava, ela era muito ‘travadona’. No fim das contas, faltava atitude. Nem meu fetiche ajudou”, conta. “Antes que achem que eu sou maluco, acho bom explicar que, antes de tudo, eu gosto mesmo é de mulher, de qualquer jeito. Apenas tenho minhas preferências”, garante.

Adubos

E qual é o símbolo sexual dessa turma de gosto tão peculiar? “Não é nenhuma dessas modelos magrelas, que parecem mais uma garça de tão finas as pernas. Em minha opinião, as melhores do Brasil são das duas Sheilas, a Sheila Mello e a Scheila Carvalho. Não tem igual”, diz Renato Rossi, com o apoio incondicional de Paulo César. Já o dentista Roberto Espósito foge um pouco do lugar-comum: “Solange Frazão. Ela é ‘rata’ de academia, tem panturrilhas sensacionais!”.

Além do gosto peculiar, os três têm outra coisa em comum: são solteiros. “Pegar uma mulher com as panturrilhas gordinhas é uma delícia, mas tem que ter o pacote completo. Se não, não vale a pena. O dia em que eu encontrar essa combinação, caso na hora. Já vou comprar uma aliança pra levar na bolsa, para o caso de dar de cara com uma mulher assim”, brinca Rossi.

Enquanto nosso amigo não encontra sua musa ideal, ele segue procurando, sempre com bom humor e sem perder o rebolado. Afinal de contas, como diz Caetano Veloso, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...