ARTIGO

Sabrina Sweet e o pornô punk

Tendências interessantes têm surgido no pornô francês: o pornô alternativo e o pornô produzido por mulheres, ambos interessados em mudar a pornografia e trazer alternativas de erotismo e sexualidade para o público.

por Valter José

Pois a ex-atriz Sabrina Sweet (foto) junta as duas coisas: o estilo individual e feminino com o estilo alternativo. Tudo começou quando a francesa se cansou de gravar cenas gonzo, sempre iguais, em que precisava atuar em transas de 30 minutos com um ator bissexual malhadão (e frequentemente com pouco cérebro), enquanto o diretor, com o relógio na mão, cronometrava o sexo, já pensando no dinheiro.

Sweet, nessa época, era adepta do heavy metal, mas, em 2004, seu namorado, Oliver, a convenceu a aderir ao punk - e foi entre os punks que ela encontrou calor humano, carinho e fraternidade. Por eles, abandonou a cabeleira ruiva e a trocou pelos cabelos loiros. Agora, a bela quer ocupar um lugar no universo pornô europeu, que, segundo ela, precisa “de gente nova e novas ideias”.

OUTRA ESTÉTICA
Com o namorado, Sabrina Sweet fundou a produtora SweetProd, com o capital inicial de 15.000€ (aproximadamente R$ 37,5 mil reais), equipamentos (luzes e câmeras) e uma velha van.

Punk Academy foi o primeiro filme produzido e dirigido por Sweet. Como diz o título, trata-se de uma exploração do universo punk. A ideia, ser bem underground, bem rock’n’roll. A inspiração veio também dos vídeos e filmes dirigidos pela também ex-atriz e diretora Ovidie, além da série Burning Angels, com garotas tatuadas.

Sabrina atuou em algumas cenas e também manejou a câmera. O namorado Oliver fica com a parte mais “burocrática” da coisa, como, por exemplo, comprar suprimentos no supermercado.

Nesse primeiro vídeo, ela juntou Milka Manson, Shannya Tweeks e Michael Cherrito, namorado de Milka, além de alguns punks autênticos da pequena cidade francesa de Compiègne.

Punk Academy marcou por ser absolutamente alternativo. Não é uma produção estilo “pornochique” de Marc Dorcel, nem um gonzo repetitivo como tantos hoje em dia. Não é também uma mistura dos dois gêneros, nem está a meio caminho entre os dois.

Sabrina Sweet quer, na verdade, criar algo bem diferente. A meu ver, ela quer manter a tradição “coquine” (sexo recreativo) dos pornôs femininos franceses, como faziam Laetitia e Sabrina Ricci.


Imagens: Reprodução (www.myspace.com/sabrinasweetx)


Publicado em 12/04/2011.