CONTO ERÓTICO

O SACOLEJO DO BUSÃO
Por Dr. Fernando Del Vogue

Andar de ônibus é algo com que nos desacostumamos com a maior facilidade. Comecei a trabalhar cedo, juntei dinheiro e logo comprei meu primeiro carro. Desde então, nunca mais tive de pegar um “busão”, como se diz aqui, em São Paulo.
Há 13 anos, não ficava horas parado em um ponto de ônibus nem fazia a viagem em pé e espremido, mas meu carro quebrou e estou há um mês nesse sofrimento – embora tenha realizado uma das minhas fantasias sexuais...
Sempre fui um devorador dos livros de Nelson Rodrigues, e um dos textos de que mais gosto é “A Dama do Lotação”. A história que vou contar não chega aos pés da escrita pelo mestre, mas é real e me fez lembrar dela.
Tudo começou no primeiro dia em que fui trabalhar de ônibus. Meu mau humor matinal já estava dez vezes pior, o ponto estava lotado, até que a linha 539B passou. Todos correram para entrar e pegar os melhores lugares. Fiquei pra trás e segui a viagem em pé.
Para piorar, estava um calor literalmente dos infernos. “Tem dias que é melhor não acordar”, pensei comigo – mas, minutos depois da lamentação, pude ver a imagem que salvaria meu dia e a semana inteira.
Em meio de dezenas de pessoas, consegui ver uma beldade. Os cabelos eram longos, encaracolados e aloirados, daqueles claros com a luz do sol, mas castanhos no escuro. O rosto delicado contrastava com os lábios grossos, e os seios fartos se apertavam numa blusa decotada, acompanhada de uma saia verde que realçava o bonito quadril.
Tentei me aproximar dela e pude sentir o perfume picante, mas, ao mesmo tempo, doce, que exalava daquela pele branquinha. O ônibus balançava muito – e ela roçava, acredito que despropositadamente, o corpo dela no meu. Eu apenas sorria, notando que também já estava sendo observado. A gatinha desceu três pontos antes do meu, fazendo com que eu fosse trabalhar com aquela imagem na minha mente.
No dia seguinte, peguei o mesmo ônibus e lá estava ela. A cena se repetiu, assim como no resto da semana. Nenhuma palavra, nem ao menos o nome, nós trocamos. Eu só sabia que ela descia três pontos antes do meu.
Já estava ficando louco – até que tomei uma decisão de impulso. Quando a gata desceu do ônibus, decidi fazer o mesmo e segui-la, mesmo sem conhecer aquele pedaço onde descemos.
A gata virou o rosto pra trás e viu que eu estava atrás dela. Balançou os cabelos, apertou o passo, virou à esquerda e seguiu em frente. Acendi um cigarro para disfarçar e continuei a caminhada, até que a perdi vista. Já estava conformado, uma vez que, no dia seguinte, sabia que a veria novamente. Foi quando ouvi um assobio.
Olhei para os lados e não vi ninguém conhecido. Ouvi novamente o assobio, mas, dessa vez percebi da onde vinha: do quinto andar do prédio ao lado. Era ela, a gatinha dos sacolejos no “busão”. A moça me mandou um beijo e me jogou uma chave onde estava escrito o número do apartamento: 52.
Por mais perigoso que isso possa parecer, na hora, não medi os riscos. Toquei a campainha do prédio e disse que estava indo ao tal apartamento. O porteiro informou que eu já estava autorizado. Subi o elevador pensando no que iria falar para ela, afinal, eu havia sido convidado!

Toquei a campainha do número 52 e, quando a porta se abriu, me mostrou a visão do paraíso. Lá, estava aquela mulher linda, completamente nua em um apartamento sem móvel algum. A pele deixava aparecer milhares de pintinhas – e o corpanziol, com uma força magnética incontrolável, fez com que eu fosse abraçar e beijar a bela loira.
Nossas bocas se digladiavam em beijos deliciosos, e ela mordia a ponta das minhas orelhas e sussurrava palavrões nos meus ouvidos. Minhas mãos massageavam todo aquele corpo: seios, bunda, coxas, barriga. Ela se apressava e arrancava a minha roupa, deixando o meu mastro erguido para fora.
A garota mostrou mesmo o que veio fazer ali: prendeu os longos cabelos, ajoelhou-se no chão e passou a chupar o meu pau, sugando tudo como se fosse um pirulito na boca de uma criança. Agarrei as orelhas dela, pedindo para que o movimento fosse acelerado, uma solicitação que prontamente atendida.
Decidi retribuir toda a hospitalidade e passei a lamber a bocetinha da gata, dedicando longos minutos à nobre arte do sexo oral. Suguei com gosto todo o tesão que saiu daquela gruta dos prazeres e passei a lamber também o buraquinho dos desejos, logo ali embaixo.
A garota ficou de quatro, arreganhando a bunda grande na minha frente. Ameacei enfiar na bocetinha, mas, sem ela dizer nada, notei que queria mesmo é ter o cuzinho devorado. Lubrifiquei com algumas cusparadas o buraquinho rosa e estoquei com força o meu pau, arrancando um grito de prazer e dor da boca carnuda.
Comi aquele cu com uma vontade sem igual. Ela ainda era uma desconhecida para mim, mesmo eu tendo pensado nela todos os dias da semana. Gozei com força dentro daquele calor todo
Segundos depois, ela ficou aflita. Pegou as minhas roupas no chão do apartamento vazio, me entregou e disse que eu precisava ir embora. Era “questão de vida ou morte”.
Mesmo não entendendo nada, me vesti rapidamente e fui trabalhar. Passei o resto do dia com um sorriso bobo na cara. Pensei que a veria no dia seguinte no mesmo ônibus, mas isso não aconteceu. Nem no dia seguinte, nem nos outros que se passaram.
Amanhã, meu carro fica pronto e não terei mais de andar de ônibus – mas certamente ficarei com vontade. Quem sabe um dia, eu não a encontro em algum “busão” da vida?