REPORTAGEM

Panela velha é que faz comida boa

Observando sites de teor adulto na internet, me deparei com um fato curioso: hoje em dia, muitas acompanhantes têm 30 anos ou mais, podendo chegar até os 65! Sim, aquela mania de acreditar que os homens pagam apenas por sexo com ninfetinhas foi por água abaixo...

por L.J.

Quis conferir se era maluquice minha ou se realmente tem surgido um novo padrão de acompanhantes. Para saber a verdade, contatei, por meio de anúncios em jornais, classificados na Web e revistas, pessoas que talvez se encaixassem nesse perfil – e foi mais fácil do que parecia!

As acompanhantes que encontrei tinham idade que variavam de 35 até 62 anos; em sua maioria, divorciadas e com filhos; algumas poucas eram ainda casadas, mas prestavam serviços sexuais para tentar equilibrar o orçamento doméstico. Veja o resultado da pesquisa...

Os clientes
As acompanhantes “maduras” disseram que há principalmente dois grupos de clientes: os inexperientes e os quarentões. Os primeiros buscam alguém que já tenha muita experiência e possa “aplicar técnicas” para saciar seu prazer e curiosidade.

Já os quarentões, que têm uma frequência e habitualidade maior, buscam na acompanhante uma vivência similar à deles. Não querem mais uma “filha para cuidar”, mas alguém que lhes possa dar prazer no mesmo grau de experiência.

Rotina e comportamento
Uma característica marcante das acompanhantes “maduras” são os clientes fixos, que podem corresponder a até 60% do faturamento mensal.

Já os clientes na faixa de idade de “transição” (28 a 39 anos, mais ou menos) correspondem, no máximo, a 10% do faturamento. Afinal, é a idade em que procuram principalmente as ninfetas, que supostamente estão no apogeu sexual.

Essa diferença na porcentagem é responsável por um dado curioso: se, antigamente, as acompanhantes faziam de tudo para parecer garotinhas, hoje em dia, costumam dizer idades mais elevadas do que têm, a fim de se encaixar no perfil de seus clientes.

São também mulheres com um maior grau de instrução: costumam conversar sobre diversos assuntos e acabam por atuar como “psicólogas” de seus clientes. Até eu, um simples repórter, recebi um tratamento diferenciado durante as entrevistas.

Elas sabem que têm voz, experiência de vida e maturidade para saber como agir e viver em sociedade, sempre administrando sua profissão para que possam um dia
sair dela.

Conclusões
Nem sempre dá pra acreditar na história de que a quantidade de empregos aumentou no País e a renda do brasileiro melhorou. Pelo menos, não para todos. Muitas mulheres têm de se prostituir para conseguir prover a sobrevivência, tanto de si mesmas como a de seus filhos.

Em São Paulo, na famosa Rua Augusta ou no Parque da Luz, não é difícil ver senhoras, algumas com problemas de saúde e em idade para ajudar a criar seus
netos, vendendo seus corpos a troco de migalhas.

Claro que existem aquelas que fazem dos programas uma fonte lucrativa de renda, mas e quando isso não é uma opção, mas o único caminho? É algo a se pensar.


Agradeço a Maria Cristina, Peggy, Fofa Devora (nomes fictícios) e tantas outras pessoas que comigo conversaram e me possibilitaram redigir este artigo.