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SEXO NA REDE
Por João Pedrosa

Muito se fala sobre sexo virtual, mas você já pensou por que a internet é tão voltada ao erotismo?

A internet transformou o nosso planeta em uma verdadeira aldeia global. Ter acesso a ela significa compartilhar informações com pessoas dos quatro cantos do globo, democratizando o conhecimento humano. Hoje, no Brasil e no mundo, são milhões de pessoas conectadas, utilizando a internet para comprar, fazer negócios ou simplesmente se comunicar.

Quando os norte-americanos criaram a ARPANET, uma rede de laboratórios que fazia pesquisas para o Departamento de Defesa dos EUA, não imaginaram que esse sistema, que, em 1982, passou a se chamar internet, pudesse revolucionar a comunicação humana. Foi dentro desse contexto tecnológico que a WWW se transformou em mais um elemento catalisador da comunicação entre homens e mulheres de todo o mundo, encurtando distâncias e aproximando pessoas.

Com a internet, as pessoas puderam se comunicar e descobrir que possuem afinidades. Esse cenário contribuiu para o surgimento, com força, do erotismo virtual e do pornoerotismo virtual. A diferença entre ambos é que o primeiro visa exclusivamente à aproximação entre pessoas para a estimulação sexual virtual ou real sem haver o aspecto comercial, que, por sua vez, caracteriza o pornoerotismo.

O pornoerotismo virtual caracteriza-se, portanto, pela venda do serviço, ou seja, pelo ato de pagar para se associar a um site erótico ou pagar pelos serviços sexuais de uma garota. Hoje são milhares de sites eróticos e pornoeróticos na internet. Estima-se que entre 20 mil e 50 mil novas pessoas entram na Web todos os dias e vão para os chats, fóruns e grupos de discussão em busca do contato humano, na procura de amor, sexo e relacionamento afetivo.

Buscar estimulação erótica e desenvolver relacionamentos afetivos e sexuais através dos meios de comunicação, porém, não é novidade. Antes da internet, já exista a revista, o telefone e a carta. No caso da carta, usa-se apenas a escrita; no telefone, é só voz; na revista, escrita e imagem. A diferença é que, na internet, pode-se usar escrita, voz e imagem, estimulando a visão e a audição.


Para se ter uma idéia da popularidade do sexo na Web, ele só foi suplantado pelo tema “guerra”, no Reino Unido. O tema “guerra” ultrapassou “sexo” como a busca mais popular da internet na Grã Bretanha no dia 21 de março de 2003**, com o conflito no Iraque capturando a atenção e aparentemente reduzindo a libido dos internautas britânicos. “O termo ‘guerra’ foi nossa maior busca no dia 21, superando os favoritos de sempre: sexo, Britney Spears e viagem”, disse Nadia Schofi eld, da Freeserve, maior provedor de internet do Reino Unido.

A empresa acompanha as alterações diárias de temas populares de busca como uma maneira de determinar predileções online. Os temas relacionados ao sexo sempre dominaram os assuntos mais procurados na Web do Reino Unido.
Outro dado importante é que dentre os 50 milhões de sites existentes na internet, nada mais, nada menos do que 4,2 milhões estão inteiramente enquadrados na categoria “pornografia”, de acordo com a Filter Reviews, em 2004.
Além disso, há, no total, 372 milhões de páginas – ou 8% de toda a internet– que utilizam o sexo como apelo principal para uma platéia cativa de 72 milhões de usuários em todo o mundo, em que os homens são a grande maioria. Este tipo de levantamento é feito todos os anos pela N2H2, empresa especializada em desenvolver sistemas que impedem ou dificultam o acesso a sites pornográficos.

Os homens respondem por 78% da audiência mundial de sites de sexo. O levantamento mostrou que 80% do público adulto masculino navegava em sites considerados pornográficos a partir de suas casas.
O fato de os homens serem o principal público de sites eróticos tem uma explicação científica. A estimulação visual é fundamental para o homem excitar-se sexualmente, ao contrário da mulher, que se estimula mais com o toque e a audição. Já o homem precisa muito da visão para abrir suas zonas erógenas.

As pessoas procuram a internet em busca de possíveis parceiros para se relacionarem ou fazerem sexo porque a sexualidade continua sendo um grande tabu. Ainda se fala relativamente pouco sobre o assunto na família e na escola. São séculos de repressão, e é natural que as pessoas, além de informações educativas, referentes à questão, busquem também o que eu chamo de comunicação erótico-virtual.
Outro fato que influencia as pessoas na busca de relacionamentos e sexo na Web é o tempo, que, nos dias de hoje, passou a ter importância capital, principalmente nos grandes centros urbanos.

Utilizar a internet para procurar relacionamentos afetivos e sexuais é bom e saudável. Esse tipo de prática só passa a ser prejudicial à saúde emocional do internauta quando ele usa exclusivamente o recurso virtual para se relacionar, isolando-se do “mundo real”. Quando há um isolamento total, é sinal de que ele se encontra em desequilíbrio emocional.
Se você é uma pessoa adulta, desfrute da internet utilizando a comunicação erótico-virtual. Não é pecado, não faz mal e não precisa sentir culpa! Muito pelo contrário, você sentirá uma sensação de bem-estar que aliviará o estresse do cotidiano.