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SEXSITES EM BERLIM

Por João Marinho


 

Fomos à Venus Berlim e contamos tudo sobre a maior feira do mercado erótico europeu.


Pense e responda: em que lugar você pode topar, em único dia e no mesmo espaço, com musas do porte de Jesse Jane, Jessica Drake, Melissa Lauren e Silvia Saint? A resposta é uma só: em Berlim.

Não porque a cidade tenha um atrativo especial para as pornstars – embora seja uma cidade muito bonita, claro – mas porque é a sede da maior feira do cobiçado mercado erótico europeu: a Venus International Fair.



Feliz aniversário

Criada em 1997 e com sua 12a edição realizada entre 16 e 19 de outubro de 2008, a Venus representa todo um leque de oportunidades para empresas especializadas em levar prazer ao público – como é o caso da Sexsites Editorial e da Sexsites Produções.

Os números impressionam. A edição de 2008 contou com 380 expositores de 38 países. Só na quantidade de nações representadas, isso é mais que o dobro do registrado na primeira edição, que contou com expositores de 18 bandeiras diferentes. Entre os estandes, selos pesos-pesados da indústria pornográfica, como Elegant Angel, Marc Dorcel, Vivid, Wicked Pictures e Digital Playground.

Embora o número de visitantes não tenha sido divulgado até o fechamento desta edição é sabido, de acordo com próprios organizadores, que o evento atrai cerca de 25 mil consumidores por ano, em uma tendência que se encontra em alta e numa democracia de gostos invejável.

Sim, engana-se quem pensa que se trata de um lugar dominado apenas por homens interessados nas curvas de Jesse Jane – e, vamos combinar, elas merecem tanto interesse –: ano a ano, o público feminino marca presença no evento. Gays e bissexuais também participam: há expositores com produtos direcionados a esse público, que, pela primeira vez, ganhou até uma área especialmente dedicada a ele.



Cada um no seu quadrado

Os homens e mulheres que curtem uma pegada mais forte, traduzida por roupas pretas, chicotes, algemas e brinquedos sacanas, também foram agraciados. A Fetish Area, também organizada pela primeira vez, contou com cerca de 50 expositores com produtos destinados ao povo do sexo extremo.

A organização em áreas foi adotada desde as primeiras edições da Venus. Há, por exemplo, a Fair Area, em que ocorre a feira propriamente dita; e a Show Area, onde, num espaço de 500 m2 com 68 alto-falantes, DJs e VJs, bares, zona VIP, passarela, cenário e projeções de vídeo com 8 metros de altura, o público pôde conferir, digamos, amostras apimentadas das maiores empresas do setor.

Outros espaços que merecem destaque são a Web Area, um reconhecimento de três anos ao crescimento incontestável da pornografia online, por meio de streaming e VOD (videos on demand), e a Business Area, que se diferencia das demais por privilegiar as conversas e os negócios, sem shows e sem música alta.

A idéia de dividir os expositores em um bom número de áreas dirigidas – além das mencionadas, havia, por exemplo, a Non-Erotic Area, com empresas que fornecem suporte ao mercado, como os fabricantes de equipamentos de iluminação – foi ajudar o público a localizar seus estúdios e empresas preferidas e, claro, a investir e gastar dinheiro. Afinal, não obstante o apelo dos shows eróticos e pirotécnicos de alto nível, e da presença dos astros e estrelas, boa parte dos visitantes, entre consumidores finais, produtoras e distribuidoras, está ali por motivos comerciais. Entre os expositores, obviamente, essa é a principal motivação.



Sexsites em Berlim

Foi o apelo comercial que levou Clayton Nunes, 33 anos, diretor responsável pelos filmes lançados na Sexsites Editorial, a comparecer à Venus. “Esta foi minha sexta edição na feira”, diz ele. “Profissionalmente falando, essa feira é a oportunidade de entrar em contato com os maiores produtores e distribuidores, principalmente da Europa”.

Nem tudo, porém, são flores. Clayton deu uma de correspondente internacional da revista Sexsites e registrou suas impressões sobre a 12a. edição da feira européia.

O evento, segundo ele, deixou a desejar em alguns pontos: “Os shows se mantiveram com a mesma qualidade de sempre, e o público cada vez mais fervoroso e divertido, mas a tentativa de separar as empresas por ambientes não foi bem-sucedida. Todas já têm um local tradicional – e mudar os locais habituais poderia significar que os clientes não as encontrassem, por causa do tamanho da feira”.

A edição de 2008 também foi menor, em números de expositores: de 406, no ano passado, para 380. “A feira estava menor porque as empresas pequenas desapareceram dali”, explica Clayton. “O mercado pornô está cada vez mais profissional [...]. As grandes empresas, cada vez mais, deixam claro que este não é um mercado qualquer e que [...] a profissionalização é necessária”.

Se, por um lado, isso significa mais mulheres gostosas no DVD e no monitor dos consumidores, por outro lado, esconde uma realidade controversa. “As empresas amadoras e pequenas estão com sérias dificuldades para continuar a operar”, comenta o diretor.

É preciso destacar que, considerando o mercado tradicional, parte dessas dificuldades advém da própria dinâmica do mercado erótico, que precisa lidar com desafios cada vez maiores.

Segundo a revista AVN Europe, que faz cobertura da indústria pornográfica européia, a concorrência cada vez mais acirrada entre os estúdios tem levado a uma queda considerável no valor de venda dos DVDs. Além disso, a própria venda dos discos vem caindo – em parte, causada pelo crescimento da internet, mas também (acréscimo nosso), em países com o Brasil, devido à pirataria – mas, por enquanto, para o público em geral, tudo é festa.

Além dos shows, não faltam razões para alguém como o leitor, que não trabalha no setor, participar: “Em termos de diversão, é a oportunidade de tirar fotos e conseguir autógrafos das principais estrelas pornôs!”, diz Clayton.

Para finalizar, uma boa notícia: se você não pôde comparecer à capital alemã, há uma outra oportunidade de conferir as gostosas do cinema pornô em carne e osso. “O mercado erótico possui duas grandes feiras. Uma, a Venus, em Berlim, que acontece em outubro e onde as empresas européias estão em maior número”, conta o diretor. “A outra acontece em janeiro, em Las Vegas, onde se concentram as empresas norte-americanas – e a de Las Vegas é mais glamorosa em termos de show”. Que tal preparar as malas?