CONTO ERÓTICO
 

Sinal verde para trepar


Por Cristiano Bazuca


Já passava de meia-noite. Eu estava no carro a caminho de casa, completamente acabado. Que trabalhinho vagabundo eu tinha arrumado... Mas não ia pensar nisso naquela noite. Não, eu tinha de eliminar toda aquela burocracia e papelada da minha mente e me manter focado em duas coisas: a cama e o cão que me aguardavam em casa.

Foi no meio desse delicioso devaneio que, no farol vermelho, vi uma cena mais deliciosa ainda: um casal se pegando bem no carro ao lado. Estava muito escuro, e eu não conseguia ver os rostos, as mãos, as línguas – apenas a mecha longa de cabelos loiros da motorista. Devia ser um casal moderno, desses em que a mulher mais velha tem um carrão e leva o namoradinho para passear.

O farol abriu. A loira disparou na frente. Sim, eu estava cansado, mas não pude evitar. Meu instinto voyeur foi mais forte, e os segui. Outra avenida, outro farol vermelho... Novamente, ficamos lado a lado. Eles se comendo, eu olhando descaradamente.

Então, eles me observaram – é engraçado como sempre percebemos os olhares que se dirigem a nós. A loira me encarou com expressões de tarada e bruxa, mas a surpresa veio do banco do passageiro: uma morena de olhos verdes estonteantes que parou na minha frente com pose de deboche e de convite. Como eu podia imaginar que um beijo tão lascivo estava acontecendo entre duas mulheres?

Eu, que sempre fui o carola introvertido do colégio de padres, jamais sonhei ficar tão excitado em ver duas lésbicas se engolindo. Não sei se foi o inusitado da situação ou minhas necessidades sexuais, mas meu pau estava tão duro que parecia explodir dentro da calça jeans.

Mais uma vez, o farol verde. Elas se mantiveram paradas, esperando um sinal meu. Tomei coragem. Abri a janela:

– Oi!

– Oi, gato. O que foi? Nunca viu, não? – intimidou a loira.

– Tão lindas e tão gostosas, não.

– Pra onde você vai?

– Pra onde vocês forem.

– Segue a gente!


Arrancaram cantando pneu e me levando a 100 km por hora para algum lugar que não me importava saber. Também não sabia o que me esperava, mas só a excitação de perseguir as duas já valia a pena.

Finalmente, estacionamos em uma bocada qualquer da Rodovia dos Imigrantes, que leva ao litoral de São Paulo. Era um matagal onde provavelmente muitos carros e corpos se perderam – e, dessa vez, podiam ser os meus.

Não desci do carro. Meu coração batia muito rápido. Bateram no vidro:

– Tá com medo? – perguntou a morena.

– A gente não morde, não – sacaneou a loira.

Era provocação demais para um homem só. Saí e, no impulso, agarrei a morena num beijo intenso como eu não dava há séculos.

Segundos depois, já estava bolinando todo o seu corpo. Minhas mãos apertavam os peitos pequeninos e redondinhos dela, apalpavam a bunda perfeita... Ela gemia, ronronava em meu ouvido a cada peça de roupa que eu tirava: primeiro, a saia; depois, a blusa, o sutiã. A cada peça, mais lambidas.

Ah, como eu chupei os mamilos rosados dela... Quando eu ameaçava parar, ela pedia mais e mais – até que chamou a namorada loira. Acho que nenhum de nós sentira tanto tesão na vida.

A loira chegou toda nua. Diferentemente da morena, era mais encorpada, mais mulher, mais gostosa. Era dominadora, mas tinha os gestos delicados.

Primeiro, afastou-me da sua morena. Em seguida, deitou-a naquele chão frio e começou a chupar a gruta úmida da ninfetinha.

– Vem!

Obedeci.

– Lambe o peito dela e passa mão no grelo... Ela tá molhadinha!

Novamente, obedeci. Senti a pele da nossa menina toda arrepiada. Até os pelinhos da xoxota estavam eriçados.

A morena, que, até então, só suspirava, me disse mansinho:

– Agora, desce!

Lambi, entre as coxas, aquela pele que fica escondida no meio da boceta de toda mulher. Chupei o grelo, enfiei a língua no canal melado. Ela começou a gozar... E como gozava! Era fantástico! Até que, finalmente, ficou esgotada.

A loira, porém, ainda era puro tesão: jogou-me sobre o chão gelado e encorajou a namorada a se levantar e a ficar ajoelhada na frente de minha boca. A loira encaixou-se, montada em mim.

– Me come – disse a loira.

– Me chupa – pediu a morena.

Sucumbi como um cachorrinho – e, com meu caralho já dentro da loira e a língua dentro da morena, gozei tão gostoso que seria impossível descrever em palavras. Foi quase um orgasmo múltiplo desses que dizem homens não podem sentir.

– Ah, enfia, enfia! Enfia tudinho lá dentro, meu tesão! Vai, goza em mim! Goza dentro de mim! Ah!


A loira, com as mãos nos peitos da morena, não parava de berrar. A namorada, mais contida, mas igualmente transbordando de prazer, só dizia baixinho “Ai, que gostoso! Ai, que tesão!”.

No fim, paramos cansados, lambuzados, sujos, deitados na mata escura. Quando eu estava quase adormecendo, ouvi passos. Eram as duas.

– Ei! Aonde vocês vão?

– Embora – disse a loira, com naturalidade.

– Mas... E eu? – perguntei, desnorteado.

– Não sei. Você pode ir embora também – replicou a moreninha.

– E nós? E hoje? Podia acontecer mais vezes, não podia?

A loira foi se aproximando e, nos meus ouvidos, sussurrou:

– Querido, esquece, tá?

Nunca me senti tão usado, ultrajado e contente como naquela noite...