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TECNOLOGIA DO PRAZER


Por Luciano Rodrigues


No momento seguinte à criação dos games, o ser humano passou a pensar em como utilizá-los para o prazer sexual


Se você nasceu depois de 1980, viu nascer as revoluções proporcionadas pelos computadores pessoais, videogames, celulares, etc.. As reviravoltas atingiram em cheio o dia-a-dia de todos nós – e, com o sexo, não foi diferente.



Primeira vez

Muitos vão se lembrar, por exemplo, do X-Man, um dos games pioneiros no tema. O jogo era o mais simples possível: um homenzinho de pau duro tentava, dentro de um labirinto, escapar da tesoura que podia lhe cortar o membro e, ao mesmo tempo, chegar ao quarto da mocinha.

A tarefa não era das mais fáceis, mas valia a pena. Uma vez ao lado da garota, nosso herói fazia a festa: boquete, sexo anal, papai-e-mamãe ou cachorrinho... Para todos os gostos.

No entanto, durante muitos anos, os jogos eróticos sobreviveram apenas no mercado negro, através de jogos piratas, cópias, tudo envolto por muito sigilo. Ainda hoje, encontrar um cartucho de Atari com X-Man é praticamente impossível.

Sexo para todos

Felizmente, a revolução sexual online não tardou muito a chegar. Antes da popularização dos computadores, poucas eram as pessoas capazes de criar, por meio de programação, um jogo qualquer, por mais simples que fosse.

Hoje, alguns dos maiores experts do planeta em computação são adolescentes – e qualquer um sabe como funciona a cabeça de um adolescente: sexo, fast food, diversão e mais sexo. Assim, os jogos eróticos se espalharam pelo mundo com velocidade assombrosa.

Reflexo dessa tendência é a Associação Internacional de Programadores de Games de Conteúdo Sexual. Não acredita? Acesse o blog da entidade: www.igda.org/sex. Ali, é possível encontrar links para baixar mais de 300 jogos que exploram única e exclusivamente o sexo, desde o chamado softcore, mais suave, até práticas extremas, como sexo grupal, coprofagia e zoofilia.



Beleza americana



Nos Estados Unidos, adeptos da brincadeira já se organizam em comunidades para jogar em rede. É isso mesmo: uma grande suruba online!

Um dos games preferidos para isso é um clássico instantâneo: Naughty America: The Game. Você pode criar seu próprio personagem como quiser: loiro, negro, moreno, com um pênis descomunal ou uma ferramenta mais modesta, alto ou baixo, enfim...

O jogo é simples, e a diversão, garantida. A paquera pode acontecer em qualquer um dos três cenários do jogo: a praia, que conta com passeios à beira-mar, cruzeiros marítimos e garotas de biquíni; a uptown, com lojas de grife, cassinos e parques; e a downtown, onde a vida noturna acontece em clubes, sex shops, fliperamas, becos escuros e apartamentos baratos para aluguel.

Por meio de uma base de dados, o jogador pesquisa e convida alguém, homem ou mulher, para um encontro. Se tudo correr bem, é só passar para o “sex mode” e começar o rala-e-rola virtual.

Ali, amigo, vale tudo. É possível entrar em um clube voyeur e apenas assistir os outros em ação. Mas se o seu negócio é ser o protagonista, boa sorte: além de dezenas de posições sexuais e locais inóspitos, ainda é possível colocar pimenta na coisa e utilizar uma webcam para ligar os amantes durante a transa. Assim, você vê a parceira em tempo real.

A empresa que produz o software pensou em tudo. Até na possibilidade do casal ir parar no mundo real. Se dois (ou três, ou quatro, ou vários) quiserem se encontrar em carne e osso, seus cadastros são avaliados e, se não houver antecedentes criminais, os dados são liberados para que os jogadores possam entrar em contato. Em outras palavras: sexo virtual ou real, tudo é feito com muita segurança.

Segundo tempo

A última onda é o famoso Second Life. Trata-se de uma espécie de universo paralelo, uma simulação da vida real. Ali, internautas do mundo todo se encontram e interagem, em um ambiente virtual e tridimensional que simula alguns aspectos de uma sociedade.

Criado em 2003, o programa pode ser considerado um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou até mesmo uma rede social – e é aí que começa a diversão. O jogador pode encontrar uma gata online – uma das vantagens do jogo é permitir que o usuário crie seu personagem como quiser, ou seja, bonitos e sarados –, convencê-la a ir para o seu apartamento virtual e mandar ver.

No entanto, assim como no Naughty America, o joguinho virtual começou a ficar pequeno para os tarados de plantão. Assim, o próximo passo foi combinar de se encontrar no mundo real e, na maior parte das vezes, com um objetivo claro: fazer sexo, muito sexo, de todos os jeitos.

Aliás, a ligação entre o sexo real e o virtual é cada vez mais tênue. Uma das maiores estrelas pornô da atualidade, Jenna Jameson, lançou seu game, o Virtually Jenna. Ali, você pode transar com uma gata, construída à imagem e semelhança da atriz, do jeito que quiser, quando bem entender. Você manda, ela apenas obedece. E goza.

Não pára por aí. Com mais US$ 30, o jogador adquire um dispositivo que simula os movimentos dos genitais. A modernização da punheta! O que sua parceira virtual fizer, você sentirá, literalmente.

O que antes era apenas um passatempo, agora é uma ferramenta importante a favor do prazer. Com um bom papo e apenas alguns cliques, é possível fazer o sexo virtual vir para o mundo real. Mão no mouse e mãos à obra!