ENTREVISTA
 

Lentes do tesão

Tribiani, o fotógrafo que registra o melhor do sexo feminino

por João Marinho

Tribiani é um nome de peso no mundo do pornô. Atual fotógrafo da Sexsites, o paulistano de 41 anos de idade e 26 de profissão é responsável por praticamente todas as fotos que enchem seus olhos em nossas revistas – e por muitos outros produtos de diferentes marcas por aí.

Poucos sabem, mas “Tribiani” é um pseudônimo. O nome verdadeiro, ele não revela nem sob tortura. O rosto também ficará desconhecido. Manias deste profissional que sabe extrair o que modelos úmidas e loucas de desejo têm de mais gostoso.

 Ju Pantera

Sexsites: Comecemos por um pergunta básica, que qualquer leitor ou fotógrafo curioso faria. Como você entrou no mercado pornô?
Tribiani: Contatos. Inicialmente, fui fazer ensaios para um amigo meu, editor de uma revista adulta que não era pornô. Fui fazendo as fotografias, até que dois outros caras, com quem esse meu amigo trabalhava, me chamaram para fazer fotos no pornô – mas, na época, eu não quis fazer.

SS: Por que não?
Tribiani: Porque nunca tinha feito. Não conhecia a linguagem do segmento, nada. Era muita responsabilidade... Mesmo assim, um dia resolvi experimentar. O pessoal gostou e estou aí até hoje.

SS: O que fez você mudar de ideia?
Tribiani: Fiz um acordo comercial [risos]. A princípio, foi por causa da questão financeira mesmo.

SS: E, antes disso tudo, como foi o início da carreira de fotógrafo?
Tribiani: Bom, na verdade, tiro fotos desde que tinha sete anos, mas, profissionalmente, comecei fotografando gente que queria ser modelo, fazendo books. Depois, parti para a fotografia publicitária – que também utiliza modelos –, catálogo e, por fim, o mercado editorial.

SS: Chegou a fazer fotojornalismo no mercado editorial?
Tribiani: Não, não curto fotojornalismo. Gosto mais de estúdio. Gosto quando eu tenho uma boa modelo, um bom produto para fotografar e faço um bom trabalho. Agora, quando eu tenho vários empecilhos, aí é enfadonho, a gente cansa...

 Ju Pantera

SS: Depois dessa, impossível não perguntar o pior empecilho na hora de tirar fotos pornôs.
Tribiani: Ah, a pior coisa é quando você chega para fotografar uma gata, pressupondo que ela é modelo, e ela pára na sua frente e pergunta: “o que eu faço agora?” [risos].

SS: E sempre acontecem dificuldades como essa [risos]?
Tribiani: Todo dia. Há meninas que, por incrível que pareça, não sabem tirar foto, não sabem fazer pose – mas até aí, tudo bem. Sempre dou um “jeitinho” de ajudar [risos].

SS: Vai ter de contar um pouco desse “jeitinho”. O que você faz para elas relaxarem?
Tribiani: Se são as primeiras fotos do ensaio, vou conversando, tentando dar uma relaxada, quebrar o gelo... Isso por uns 10 minutos – e tem de falar a língua da pessoa. Conversar sobre o ensaio, explicar como você vai fazer, mas conhecer as gírias que elas usam, as expressões que falam...

SS: E que tipos de foto não podem faltar num ensaio pornô?
Tribiani: Bom, a gente faz um ensaio para possível capa. Depois disso, de peito coberto e descoberto, de quatro, com a bunda virada pra gente, com a bunda para cima, algumas com roupa e, claro, close na xaninha! Agora, ensaio hardcore, de transa, já é diferente e até mais difícil de fazer. Tem de ser rápido ali, na hora. A trepada tá rolando e você vai tirando, sem preparar nada antes, sem pensar muito [risos].

SS: Deve acontecer muita coisa... Você tem algum caso insólito para contar?
Tribiani: É claro. Vou contar uma cena interessante. Era uma transa, um rapaz e a menina, que estava em cima dele. Aí, “no calor do momento”, ela deu um tremendo tapão na cara dele. O queixo até deslocou, no meio da cena! Olhei para ele, fiquei esperando: “Ah, meu... Se fosse eu, teria volta”. Um minuto depois, ele devolveu o tapa – e não era de tesão [risos].

SS: E me diz uma coisa: qual o melhor lugar para fazer os ensaios?
Tribiani: Olha, o lugar que fica mais bonito é o litoral, mas é o mais difícil de fotografar. Não dá para prever a luz e não tem nada ali, só areia e água. Agora, uma locação bonita, mesmo interna, é sempre boa – e é mais fácil para mim também.

SS: É verdade que existe aquela história de a pessoa “não combinar” com o ambiente?
Tribiani: Tem, sim. Litoral, por exemplo. O que combina é mulher com corpo sarado, classe A mesmo. No campo, vai mais uma ninfetinha, que também se dá com casa, com quarto.

SS: Para finalizar. Se eu quiser começar a trabalhar com fotografia no pornô, quais elementos é preciso ter?
Tribiani: Paciência, concentração no que você está fazendo, ter consciência de que você não está ali para se divertir e ir fundo na coisa.

Ju Pantera